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Roda Viva

Estou cada vez mais convencido de que a música é um dos melhores remédios para nossas depressões diárias. Como enfrentar uma semana que...

11/11/2015 às 01:27

“Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente/Ou foi o mundo então que cresceu”.

Estou cada vez mais convencido de que a música é um dos melhores remédios para nossas depressões diárias. Como enfrentar uma semana que começou com Eduardo Cunha dizendo que o dinheiro depositado em sua conta – ou, pelo menos parte dele – é obra de alguém que não conhece, provavelmente para prejudicá-lo; semana que continuou com a descoberta de uma trama bárbara e doentia para o assassinato de uma universitária; e acabou com mais um desastre dos já recorrentes na nossa mineração. 

A gente tem de pensar em alguma música, obra prima de poeta genial, para entender que esses absurdos fazem parte da vida. “Roda Viva”, de Chico Buarque, cantada por nós desde 1967, é um bom começo para filosofar. Afinal, já li pelo menos 200 diferentes interpretações para seu conteúdo – desde amargura com a ditadura até simples confissão do gênio de que é impotente diante do rolo compressor que é o mundo. Na enciclopédia, li que “foi escrita para peça de teatro de mesmo nome, que não tinha a ver com política, mas com a trajetória de um cantor massificado pelo esquema da televisão”.

De qualquer sorte, Chico traduziu todo o nosso sentimento de incompreensão diante das permanentes oscilações do planeta ao nosso redor, castrando sonhos, impedindo ações e mudando planos... “A gente quer ter voz ativa/No nosso destino mandar/Mas eis que chega a roda viva/E carrega o destino prá lá...” É louco, mas, pura verdade: a jovem Larissa fazia faculdade, tinha um namorado bonito, família estruturada, tudo certo, dentro do melhor padrão, queria crescer, ajudar, mas, não sabia que o perigo (de novo) morava ao lado. 

Os moradores de Bento, Paracatu, Gesteira, Furquim e outros povoados só queriam concluir mais um dia, curtir a lua, descansar os ossos e recomeçar tudo na sexta-feira; entretanto, antes que a quinta terminasse, se viram num turbilhão de lama e irresponsabilidade, correram, fugiram, subiram morros, passaram a noite ao relento, sem luz, sem água, sem comunicação, esperando socorro. Assim como Larissa, aquelas mães de Mariana que carregavam os filhos nos braços em busca de abrigo na manhã seguinte ao pesadelo não sabem sequer um por cento dos acertos que são feitos nos gabinetes, das negociatas que substituem fiscalização, prevenção, seriedade nos negócios.

Ando estarrecido com a indiferença dos que têm o poder diante da insatisfação quase incontida de seus eleitores. Não sabem que as pessoas colocam todos em um barco onde estão escritas palavras impróprias para este espaço. Ninguém aguenta mais! E eles, os poderosos, continuam em outro mundo, o de faz de contas. Sinto que o acerto está próximo. Tenho a sensação de que a revolta das pessoas cada vez mais se aproxima da química de uma represa de rejeitos... Você vai colocando mais, e mais, não cuida, não monitora e um dia...

Afinal, a mesma “Roda Viva” nos adverte há meio século: “... A gente vai contra a corrente/Até não poder resistir/Na volta do barco é que sente/ O quanto deixou de cumprir”.

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