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Entregues à própria sorte

Resumindo: a cidade finge que fiscaliza, as pessoas fingem que obedecem e as autoridades fingem que pensam em outra coisa que não seja a eleição de outubro do ano que vem.

Corpo de Bombeiros de MG

Aconteceu de novo. Uma mulher foi esmagada dentro do próprio carro, por um caminhão desgovernado, em um bairro da Zona Sul de Belo Horizonte. 

Primeiro: se o caminhão desceu a rua assim que o motorista deixou a cabine é sinal de que estava com problemas mecânicos... aí, preciso lembrar o que venho denunciando há anos: nenhum veículo pesado, ônibus caminhão ou assemelhados é parado em blitz sob alegação de que não há pátio para recolhimento, em caso de irregularidade. Não ouço falar de providências, seja em ruas e avenidas das cidades ou nas rodovias. Assim, quando você tomar conhecimento de acidentes envolvendo caminhões, dê uma olhada na foto ou imagem de TV e repare o estado geral, os pneus, a manutenção do veículo. É quase sempre deprimente.

Dois: se havia uma placa proibindo tráfego de caminhões naquela rua do Santo Antônio, como um caminhão foi até lá, às dez da manhã de uma segunda-feira? Aliás, se é proibido caminhão trafegar, como alguém contratou e a empresa disponibilizou caçamba para aquele endereço?

Resumindo: a cidade finge que fiscaliza, as pessoas fingem que obedecem e as autoridades fingem que pensam em outra coisa que não seja a eleição de outubro do ano que vem. É impressionante como estamos entregues à própria sorte no encontro com doentes mentais, usuários de drogas e outros inconvenientes nas ruas; impressionante como temos de superar lixo e buracos por todos os lados; impressionante como podemos ser esmagados em qualquer esquina, a qualquer instante e registrarem nosso prematuro óbito como acidente, no lugar de homicídio culposo, culpa de quem arrecada 40 por cento de tudo o que amealhamos de salário e não devolve os serviços públicos indispensáveis.