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Ressurreição

Na medida em que os anos passam, o ser humano descobre que a tal felicidade se resume a momentos e que estes podem se tornar mais raros...

03/04/2015 às 01:23

Na medida em que os anos passam, o ser humano descobre que a tal felicidade se resume a momentos e que estes podem se tornar mais raros se não houver resistência ao pessimismo e nem acomodação com as circunstâncias, cada vez mais aflitivas. Nos tempos da minha infância, a Sexta-Feira da Paixão era um dia chato, porque não podia jogar bola, nem brigar com o irmão ou até mesmo falar mais alto. Sem falar no jejum obrigatório. Mas era um dia ótimo, porque era o único do ano em que o caminhoneiro não precisava levar o leite para a cooperativa (naqueles tempos, os fazendeiros davam o leite para vaqueiros e vizinhos). Se não havia o trabalho de todo dia, papai podia ficar conosco no almoço, rezar junto e saborear moranga com bacalhau e quiabo.

Busco na memória o ânimo para enfrentar esse feriado. Olhando para os lados, é só notícia ruim... O jogador, vaiado por quem pagou o ingresso, se irrita, faz gestos absurdos e xinga todo mundo; o vigia mata a tapa o idoso porque este, com a próstata doente, teve urgência de urinar e procurou um lote vago; o menino de 14 anos pegou carona no ônibus, caiu e morreu; o baleiro, de 18 anos, foi atropelado e morto, para desespero de seus colegas e familiares, e drama do outro lado, porque há um motorista enjaulado e gente dizendo que ele foi levado a tal situação. Tempos difíceis. Fazem os viadutos e depois têm de escorar; não param de inventar novas formas de roubar o dinheiro público – agora, até os que deviam vigiar pela Receita, fazem acordos, pegam por fora e livram sonegadores.

Se a gente for pegar ao pé da letra, joga a toalha, enfia a cara num buraco e nunca mais quer saber de notícia. Mas, assim como na Paixão de antigamente, há razões para não desanimar. O país está se cansando da “Lei de Gerson” e outros artifícios de espertalhões, o cerco se fecha contra todos os que no exercício da função pública ou privada agem com indecência. Então, assim como o almoço com papai era o lenitivo para a chatice da sexta no passado, agora a esperança de mudanças deve ser o motor que faz girar a vida... Então, feliz Páscoa!

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