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Resistência e sobrevivência

Resistência e sobrevivência

06/05/2013 às 02:13

Por força da profissão, acompanho as manifestações carnavalescas em Belo Horizonte há 35 anos. E, embora não sendo um especialista ou frequentador dos bastidores da folia, posso dizer que a nossa cidade experimentou três momentos neste período: o de crescimento, o da omissão e, nesta semana, o de uma tentativa desesperada de retomada. Na virada da década de 70 para os primeiros anos 80, a capital tinha um prefeito animado e empreendedor. Maurício Campos não se conformava com a falta de atrativos da cidade e resolveu investir na alegria, especialmente com o apoio total aos desfiles das escolas e blocos e a criação do Forró de Belô – uma festa junina de encher os olhos na Praça da Estação. As agremiações ganharam novo ânimo; a Cidade Jardim viveu seus melhores dias, brilhou a Canto da Alvorada, Inconfidência Mineira e Unidos Guaranis retomaram suas forças, nasceu a Ben-Ti-Vi e, aos tradicionais blocos caricatos, juntaram-se os Carnavalescos. Quem esteve na Afonso Pena acreditou sim que nosso desfile tinha futuro. Como é comum na política brasileira, ao assumir a Prefeitura Hélio Garcia fez questão de se contrapor às ações de Maurício. O Forró de Belô acabou e o Carnaval voltou aos velhos e sofridos tempos. Apesar do respeito que merecem os que têm o samba na veia e continuam brigando, os desfiles não são atraentes para os que têm outra opção de lazer. Acontece que viajar está cada vez mais desagradável. Pelas estradas é um perigo de morte, pelo ar é garantia de irritação, os preços cobrados nas praias e nos hotéis são proibitivos, enfim, os mineiros da classe média que antes buscavam as folias de outras praças, decidiram ficar. E, no caso da capital, houve uma explosão dos blocos formados por vizinhos e amigos. Trata-se da mais pura manifestação dos cidadãos que deve ser saudada como a melhor notícia do ano para uma cidade cada vez mais sofrida com suas mazelas. Quanto às autoridades, só precisam planejar de agora até a próxima festa de momo como ajudar, com segurança, banheiros químicos, divulgação, enfim, não atrapalhar, não burocratizar. Parece que descobrimos nosso jeito de ser realmente feliz pelo menos por uns dias.

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