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Reflexões sobre comprometimento

Eu concordo que ninguém é insubstituível. Mas, quem criou essa frase seguramente admite que certas pessoas façam diferença e, sem elas, o mundo fica menor.

Eu concordo que ninguém é insubstituível. Mas, quem criou essa frase seguramente admite que certas pessoas façam diferença e, sem elas, o mundo fica menor. De vez em quando me bate uma saudade de gente que entrevistei centenas de vezes e já está no andar de cima. Como o ecologista Hugo Werneck, o nacionalista Celso Brant e o caminhoneiro Zé Carneiro. Gente que, quando falava de algo usava a boca também como veículo do que se passava na alma. Hoje, estou com uma saudade danada da professora Regina Nabuco. Raros são os mineiros capazes de avaliar o trabalho dela em prol dos mais humildes, dos famintos. Perguntem ao Lula ou a Patrus se esse projeto de repercussão mundial que é o Fome Zero não tem as digitais da professora Regina.

Ando com saudades porque vi, dias atrás, uma notícia de pé de página que não nos estimulou uma reflexão do ponto de vista dos famintos. A Prefeitura de Belo Horizonte informou que o Restaurante Popular II, localizado na Rua Ceará, em Santa Efigênia, região Centro-Sul de Belo Horizonte, ficará fechado por seis meses para obras. De acordo com a prefeitura, elas vão garantir mais conforto e segurança para os usuários. 

Na unidade será feita reforma geral com a implantação de sistema de exaustão da cozinha; instalação de elevador para atender as pessoas com dificuldade de mobilidade; ampliação dos vestiários dos funcionários; reforma dos banheiros dos usuários; troca de todo o mobiliário do salão de atendimento; revisão do sistema de exaustão da área de higienização das bandejas; revisão geral da rede hidráulica e elétrica; implantação de sistema de bilhetagem eletrônica para agilizar a venda dos tíquetes e acesso; reforma das câmaras de refrigeração para garantir maior controle higiênico sanitário; revisão completa do projeto de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico.

Então, eu, de longe, não me vejo em condições de questionar a PBH, até porque com segurança não se brinca. Mas, em homenagem póstuma a Regina Nabuco, pergunto: é preciso mesmo fechar? Não dá para improvisar outro? Falamos de 4 mil refeições por dia. Será que esses pobres com “p” maiúsculo terão mesmo atendimento em outras unidades? Se Regina ainda comandasse a pasta do abastecimento na PBH iria discutir uma alternativa. Por essas e outras é que o povo foi às ruas porque gente como a professora Regina faz muita falta.