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Questão de matemática

Ficamos sabendo agora que a União gastou 4,2 bilhões de reais com a dengue nos últimos cinco anos. É ou não é uma dinheirama sem tamanho?

Em várias ocasiões vi pessoas quebrarem resistências com base na lógica matemática do tipo “ainda que você não tenha motivos para ajudar fulano ou comprar determinado imóvel” o lucro sempre valerá a pena. Me angustio com o fato de o governo não pensar na relação entre custos e benefícios para ações de médio e longo prazo. Ficamos sabendo agora que a União gastou 4,2 bilhões de reais com a dengue nos últimos cinco anos. É ou não é uma dinheirama sem tamanho? Alguém pode dizer que não “gastou”, mas, “investiu” e insistirei que o pagamento de hospitais, medicamentos e outros esforços é dinheiro sem volta, portanto, como pagar aluguel... O dinheiro vai e você fica do mesmo jeito.

As crianças brasileiras já sabem que o mínimo de saneamento básico, mais a educação elementar e atendimentos primários na saúde evitariam mortes, sufoco e dor, e custaria bem mais barato. Não me conformo com a falta de pulso para enquadrar os proprietários que mantêm criadouros em seus terrenos e com a não realização, por parte do município, do estado ou do governo federal de obras as mais simples, coleta de lixo, etc. Lembrando que o mosquitinho transmite outras doenças, agora até uma tal de “zika”. Por que não planejar (pensar antes), e evitar a proliferação do mosquito. Já imaginaram 4,2 bilhões investidos em novos postos de saúde?

É assim por todos os ângulos que a gente vê. Os acidentes de trânsito interferem brutalmente na política econômica do país reduzindo a vida das vítimas em média de 35 anos, mais que o câncer (15 anos) e as doenças cardiovasculares (entre 12 e 15 anos). Jovens que estariam produzindo para a sociedade e para o Estado, promovem gastos dos cofres públicos quase 6 vezes mais que a educação, 21 vezes mais que o gasto com transporte e habitação, de acordo com estudos da Fundação Getúlio Vargas. Assim, da mesma forma que combatendo o aedes teríamos mais dinheiro em caixa, no trânsito é só focar em ações: 70 por cento dos acidentes ocorrem no limite de 30 quilômetros de casa e 25 por cento de todos os acidentes são resultantes de excesso de velocidade. Então, campanha educativa é investimento hoje para gastar menos amanhã. Uma pesquisa americana diz que cada dólar empregado em capacetes para ciclistas e assento para crianças economiza 29 dólares do sistema de saúde.

Então – e cada vez mais convencido de que a gente aprende ou pelo amor ou pela dor – faço um apelo no dia dedicado ao amor: por espírito de solidariedade ao próximo ou por inteligência emocional, vamos poupar vidas e dinheiro.