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Questão de matemática

Ficamos sabendo agora que a União gastou 4,2 bilhões de reais com a dengue nos últimos cinco anos. É ou não é uma dinheirama sem tamanho?

12/06/2015 às 12:02

Em várias ocasiões vi pessoas quebrarem resistências com base na lógica matemática do tipo “ainda que você não tenha motivos para ajudar fulano ou comprar determinado imóvel” o lucro sempre valerá a pena. Me angustio com o fato de o governo não pensar na relação entre custos e benefícios para ações de médio e longo prazo. Ficamos sabendo agora que a União gastou 4,2 bilhões de reais com a dengue nos últimos cinco anos. É ou não é uma dinheirama sem tamanho? Alguém pode dizer que não “gastou”, mas, “investiu” e insistirei que o pagamento de hospitais, medicamentos e outros esforços é dinheiro sem volta, portanto, como pagar aluguel... O dinheiro vai e você fica do mesmo jeito.

As crianças brasileiras já sabem que o mínimo de saneamento básico, mais a educação elementar e atendimentos primários na saúde evitariam mortes, sufoco e dor, e custaria bem mais barato. Não me conformo com a falta de pulso para enquadrar os proprietários que mantêm criadouros em seus terrenos e com a não realização, por parte do município, do estado ou do governo federal de obras as mais simples, coleta de lixo, etc. Lembrando que o mosquitinho transmite outras doenças, agora até uma tal de “zika”. Por que não planejar (pensar antes), e evitar a proliferação do mosquito. Já imaginaram 4,2 bilhões investidos em novos postos de saúde?

É assim por todos os ângulos que a gente vê. Os acidentes de trânsito interferem brutalmente na política econômica do país reduzindo a vida das vítimas em média de 35 anos, mais que o câncer (15 anos) e as doenças cardiovasculares (entre 12 e 15 anos). Jovens que estariam produzindo para a sociedade e para o Estado, promovem gastos dos cofres públicos quase 6 vezes mais que a educação, 21 vezes mais que o gasto com transporte e habitação, de acordo com estudos da Fundação Getúlio Vargas. Assim, da mesma forma que combatendo o aedes teríamos mais dinheiro em caixa, no trânsito é só focar em ações: 70 por cento dos acidentes ocorrem no limite de 30 quilômetros de casa e 25 por cento de todos os acidentes são resultantes de excesso de velocidade. Então, campanha educativa é investimento hoje para gastar menos amanhã. Uma pesquisa americana diz que cada dólar empregado em capacetes para ciclistas e assento para crianças economiza 29 dólares do sistema de saúde.

Então – e cada vez mais convencido de que a gente aprende ou pelo amor ou pela dor – faço um apelo no dia dedicado ao amor: por espírito de solidariedade ao próximo ou por inteligência emocional, vamos poupar vidas e dinheiro. 

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