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Quem vai por ordem nessa bagunça?

Quem vai por ordem nessa bagunça?

A mistura de hipocrisia com democracia, a falta de pulso de nossas autoridades e a incapacidade da população de se mobilizar contra aquilo que a prejudica estão causando uma rotina incômoda em Belo Horizonte: quando menos se espera, geralmente nos horários de maior movimento e em dias mais críticos – como a sexta-feira – a principal avenida da cidade é fechada e espalha-se o caos no trânsito, provocando irritação de milhares de motoristas e prejuízos incalculáveis, até mesmo a perda de vidas. Virou rotina. Agora, qualquer motivo leva determinado grupo, ainda que reduzido, a fechar a Afonso Pena. Gostam de fazê-lo na Praça Sete, que é o coração da cidade, mas às vezes o fazem na porta da Prefeitura, em outras diante do Tribunal de Justiça, enfim, o que vale é tumultuar o trânsito e, assim, chamar a atenção para o protesto. A justificativa é até digna de compreensão: se não houver barulho, ninguém fica sabendo. As causas também são inquestionáveis: os professores têm sua desesperadora situação negligenciada pelo governo do Estado e lhes falta apoio da mídia; então, têm de ir para as ruas, por a boca no mundo. Os sem terra têm direito de brigar por um teto, uma casa para criar os filhos e, se não vão para a rua, ninguém percebe que lhes falta o básico, enquanto tem dinheiro jorrando em muitos ralos no país. O problema é que esses e outros brasileiros são apenas uma ínfima fatia da população; por isso, por mais justas que sejam suas reivindicações, por mais que mereçam gritar em praça pública, eles não têm o direito de parar o tráfego de veículos e tumultuar a vida de toda a cidade. Ou estou errado? Vamos debater esse assunto, durante essa semana. Alguém precisa se mexer, diante dessa omissão inaceitável da cidadania.