Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Quem tem coragem de discutir?

Se a gente for entrar no mérito de cada uma das manifestações que assistimos todos os dias acabaremos por encontrar justificativas para todas elas.

30/10/2013 às 08:34

Se a gente for entrar no mérito de cada uma das manifestações que assistimos todos os dias acabaremos por encontrar justificativas para todas elas. Como será notado o sem teto que pena sob o sol e chuva se ele não queimar pneus e fechar a rodovia? E os professores, historicamente jogados para segundo plano, conseguirão algo além de 5 por cento de reajuste se não gritarem em praça pública? Mas, de novo, quero insistir na necessidade de uma grande discussão em Belo Horizonte sobre os limites da liberdade de manifestação. Hoje, a gente não pode garantir que estará no trabalho ou na escola na hora combinada porque as manifestações não têm qualquer tipo de aviso prévio.

É só rever as imagens de ontem e anteontem na interditada rodovia de ligação entre Contagem e Esmeraldas. Duro ver as crianças dentro dos ônibus, desoladas, e pessoas que precisavam chegar ao médico, à fisioterapia, a uma entrevista de trabalho; todos lá, durante quatro horas, assistindo a um diálogo de surdos entre a polícia e os atores da manifestação. Estes queriam falar com o prefeito Carlim Moura, que estava na China e, a julgar pelos apoios mais esquisitos que teve, duvido que possa governar direito. Nossos respeitos aos que brigam por um teto, mas, e os outros, pagadores de impostos, por que têm de ser punidos?

O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte está com projeto tentando regulamentar as manifestações na capital. Pela proposta, todas têm de ser comunicadas à polícia 24 horas antes. Terão sempre uma pista garantida para circularem, podendo ampliar dependendo da quantidade de pessoas e de avaliação da Polícia Militar, com o desenrolar dos fatos.

Ele vai apanhar e muito com a proposta, mas, se estivesse lá, como vereador, também teria a coragem de discutir o assunto, ainda que pareça antipático, antidemocrático e politicamente incorreto. Se o prefeito faz raiva quando não discute com as lideranças uma operação urbana que vai mexer com toda a cidade, se, antes, não convoca a Conferência Municipal de Política Urbana como prometido em lei, devemos manifestar nossa indignação. Gritar a todos os pulmões. Mas, por que não na Rua Goiás? Fechar a Afonso Pena é punir os que também querem uma cidade plural. Então, devíamos ter uma lei para disciplinar os protestos e outra, antes, para obrigar os governantes a discutir seriamente as questões.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Jogador de 20 anos tem multa avaliada em R$ 7 milhões para clubes brasileiros

    Acessar Link