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Quem são os verdadeiros vândalos?

Marcos é fruto de uma nova geração que não está disposta a passar a vida inteira só pagando a conta e assistindo o desfile de corruptos e coronéis que fazem da política com “P” maiúsculo....

01/11/2013 às 09:16

A propósito da coluna de quarta-feira, o estudante Marcos Sousa diz que não censura qualquer manifestação ou mesmo depredação, porque há muito a população do país vem sendo depredada, todos trabalhamos cinco meses só para pagar os impostos e ainda temos de comprar um pacote de arroz a 10 reais. Quem pode dizer que ele está errado, apesar de uma manifestação que interdita vias importantes possa resultar em danos incomensuráveis? O Marcos é fruto de uma nova geração que não está disposta a passar a vida inteira só pagando a conta e assistindo o desfile de corruptos e coronéis que fazem da política com “P” maiúsculo outra, menor, pequena, que é a de pai para filho e avô para neto.

Também é preciso buscar em textos lúcidos um caminho para seguirmos nestes tempos sombrios. Meu amigo Bruno me presenteou com um texto do pai dele, Orlando Bianchini, que, em 1993, como redator da Câmara dos Deputados e na proximidade de uma prometida reforma da Constituição de 1988, foi instado a redigir um discurso e o fez comparando aquele momento, de duas décadas atrás, com a Guerra de Canudos. Em determinado parágrafo, ele diz:

“Se a História realmente é mestra da vida, o episódio de Canudos e a trajetória de Antônio Conselheiro hão de nos servir para alguma coisa: no mínimo para entendermos que as condições que propiciaram a convergência, a fixação e o posterior extermínio de toda uma raça de excluídos não se modificaram, antes foram exacerbadas pela maior concentração de riquezas nas mãos de uns poucos e pela proliferação de milhares de outros bandos de “sem-terra”, “sem-teto”, “sem-pão”, “sem-escola” e “sem-vez” a constituir de norte a sul desse país, o imenso e terrível bando dos “sem-nada” e dos “sem-esperança-de-nada”. É ingênuo acreditar que Carandiru, Candelária, Vigário-Geral, Haximu, os saques em supermercados, os arrastões nas praias, o morticínio no campo, as invasões, o narcotráfico, a corrupção, os “colarinhos-brancos”, o lucro imoral, a distinção precária entre polícia e marginais sejam fatos isolados, distorções indesejáveis de uma ordem geral presidida pela justiça e pela equanimidade”.

O cerco está aumentando, cresce o apoio aos mascarados e o bando de loucos não são torcedores fanáticos, mas, governantes irresponsáveis e indiferentes ao anseio popular. Eles precisam ouvir as vozes das ruas... Que, na verdade, é o grito dos desesperados!

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