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Quem é o próximo?

Você, caro leitor, há de concordar comigo: se a gente não filosofar, não viajar nas reflexões, a gente não aguenta esse mundo de tanta maldade, injustiça e incompreensão. Dia desses, ouvi falar mais uma vez da parábola do bom samaritano

Você, caro leitor, há de concordar comigo: se a gente não filosofar, não viajar nas reflexões, a gente não aguenta esse mundo de tanta maldade, injustiça e incompreensão. Dia desses, ouvi falar mais uma vez da parábola do bom samaritano. Você a conhece? Não? Então, um resumo: o cenário  é o caminho entre Jerusalém e Jericó. Um viajante foi interceptado por bandidos que, depois de o roubarem, o deixaram gravemente ferido.  Em seguida, passaram por lá um sacerdote, um levita e um samaritano. O sacerdote e o levita eram religiosos; sabiam o que tinham de fazer. Já o samaritano era considerado pelos judeus uma pessoa de segunda qualidade, indigna, inimiga. O sacerdote e o levita nem ligaram para o homem mutilado, mas o samaritano fez de tudo para salvá-lo.

O fato entrou na Bíblia porque um “doutor da lei” perguntara a Jesus qual era o próximo de cada um de nós, considerando a máxima de que, se você quer realmente estar bem com Deus deve “amar a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Então, quem é o nosso próximo, queria saber o doutor, e Jesus, depois de contar a história, devolveu e a pergunta e o brigou a dizer: “Foi aquele que socorreu a vítima”. Constrangido, o doutor teve de admitir quem, de fato, fez a diferença.

Ai, eu que estou embaralhando a sua cabeça de propósito, pergunto: qual é o seu próximo? Seu pastor predileto? O padre da sua missa de domingo? Ora, é só a gente pensar um pouco... O próximo é o porteiro do nosso prédio, a faxineira da nossa empresa, o gari que recolhe o lixo na nossa porta, o motorista que nos leva aonde precisamos com alegria, o morador de rua que precisamos respeitar, o policial que põe a vida em risco por nossa causa e a gente só retribui com crítica... O próximo é qualquer humano que estiver precisando, sobretudo os mais humildes, os invisíveis, os nossos filhos (não para a gente usar influência e empregos, mas, para curtir e aproveitar a convivência), nossa esposa, o marido, nossos avós que só pedem um pouco do nosso tempo. Vamos aproveitar a véspera de finados para pensar nisso, pois, sabemos, a única coisa certa é que nossa hora vai chegar e, dependendo do quanto estivermos preparados será mais ou menos suave.