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Que vida é essa?

Que vida é essa?

06/05/2013 às 02:13

Para os que me acham um chato repetitivo, quando digo que vivemos numa cidade sem lei, transcrevo e-mail de um xará, Eduardo Machado:

“ Meu pai já estava com 91 anos e foi internado no Hospital São Lucas, vítima de Alzheimer. Minha mãe, com 87 anos o acompanhava no quarto e não havia quem a retirasse de perto. Eram 68 anos de casamento, dá para imaginar? O que venho narrar é que no entorno do Hospital São Lucas e por conseguinte toda a área hospitalar ali virou um ponto de moradores de rua e uma verdadeira “cracolândia”.

Dá medo de passar por perto, e um monte de flanelinhas bêbados e brigando por ponto. Meu pai ficou internado uma semana e nós pensávamos que minha mãe não iria resistir ao primeiro final de semana, não pela perda, mas porque já haviam duas noites que ela não dormia. Por causa de uma casa noturna nas imediações que tocava um pagode, axé, etc., com som altíssimo até às 4 horas da madrugada e os moradores de rua gritando e brigando nos passeios abaixo da janela do hospital. Quem liberou esse alvará em uma área hospitalar?

Parece brincadeira o descaso dos órgãos públicos por permitirem esta desordem numa área hospitalar como aquela. Por isso refleti estes dias a quem divulgar e escolhi você que não usará disso para fins políticos, como bem sabemos. Nosso sofrimento já amenizou e agora penso: e as outras famílias ali presentes, com os seus entes enfermos nos mais de 5.000 leitos dos hospitais do entorno?

Como não bastasse no dia 31de janeiro meu pai faleceu. Aproximadamente às 14 horas, o médico liberou para que os familiares fossem para o quarto despedir dele, pois não havia mais recursos. E assim fizemos. Ficamos ao lado da cama, em uma corrente de orações, naquela agonia dos últimos suspiros, quando, de repente, uma gritaria soou pela janela, vinda da rua, e ao olhar pela janela, uma moradora de rua corria gritando com o corpo todo em chamas, uma verdadeira fogueira, e entrou correndo dentro do restaurante popular em frente ao hospital São Lucas. Parece filme de horror, mas é a mais pura verdade, do que vivenciamos ali, naqueles dias.

Por isso lhe escrevo, para pedir que você mostre isso para as pessoas responsáveis, se é que elas ainda existem. Não por mim ou pela nossa família. Meu pai já faleceu e sabemos que ele está em lugar muito melhor do que este aqui, mas, pelas famílias que estão vivenciando tudo isso hoje e vivenciarão amanhã se nada for feito”.

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