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Que venha o Museu do Sexo!

Na verdade, uma serie de eventos já ajuda nessa aproximação e basta lembrar o recente sucesso do bloco de carnaval “Então Brilha” cujo...

14/06/2016 às 04:08

Que me perdoem os de diferentes opiniões, mas, saúdo a chegada do Museu do Sexo, por uma serie de razões. A primeira delas é que sexo é vida, dizem todos os médicos, espiritualistas e curandeiros do mundo inteiro. Como, no caso, há intima ligação entre o ato e a prostituição, a primeira profissão, segundo todos os historiadores populares que já ouvi, então, o museu há de ajudar na desmistificação do tema, no inexplicável preconceito para com os profissionais e aproximar a tradicional família mineira da Rua Guaicurus. Na verdade, uma serie de eventos já ajuda nessa aproximação e basta lembrar o recente sucesso do bloco de carnaval “Então Brilha” cujo charme está exatamente no local de concentração.

Outras ações têm feito o papel de aproximar as pessoas que não vivem naquela rua, conhecida historicamente por abrigar atacadistas e pelo “baixo meretrício”. Claro que o papel maior está com gente como a Cida Vieira, que preside a Associação dos Profissionais do Sexo, mas, cada um de nós, a seu feitio, tem ajudado. E me orgulho e contar minha parcela: certa noite escrevia minhas matérias na redação do Diário da Tarde quando chegou o Roberto Drumond perguntando se era eu que estava fazendo uma série sobre crimes praticados por um assassino na zona boêmia da cidade. Respondi afirmativamente, ele quis saber se poderia levá-lo lá, combinamos para o dia seguinte e fomos. Ele ficou fascinado com a rua, os hotéis, as estórias, e escreveu um texto, transformado em vídeo peça por Breno Milagres, denominado “O Estripador da Rua G”, do qual participei. Mas, o melhor é que a partir daquele dia Roberto ficou meu amigo.

Há outros fatos que me ligam ao reduto do sexo. Por exemplo: fiquei intrigado quando, em entrevista, anos atrás, ouvi do psicólogo e criminalista Emerson Tardieu Júnior, que aqueles hotéis de alta rotatividade são importantes na estabilidade de muitos lares. A justificativa é simples: boa parte do público daquelas casas de cama quente é composta por homens de baixa instrução, trabalhadores braçais, sem muita paciência para TPM e outras peculiaridades femininas, ou seja, querem sexo com mais frequência que a parceira pode oferecer e, não existindo aquela válvula de escape, as agressões poderiam ser mais frequentes. Alguém vai dizer que é conversa fiada, que não se justifica ir para a zona ou querer sexo todo dia, mas, enfim, ele é profissional, estudou o tema e eu o respeito.

Outra coisa: há alguns anos fui convidado a lecionar em curso de pós-graduação em Rádio e TV no Uni-BH e minha missão seria uma oficina... Fiquei pensando no que ensinar, considerando que a teoria, as regras básicas e o que há de essencial na graduação os alunos já haviam apreendido. Foi então que tive a ideia de levá-los para as ruas, cadeias, praças, rodoviária, shopping popular, mostrando-lhes como a notícia está em toda parte, como desenvolvê-la e como ter compromisso com a cidade. Acabei com eles no Hotel Brilhante onde, graças à boa relação com o gerente, fizemos uma visita e eles conversaram com duas das profissionais. Sucesso. Nos semestres seguintes, vinha a cobrança de novas turmas para visitar a zona boêmia e eu sempre me impressionava com a distância entre os profissionais da comunicação – aqueles que têm de produzir notícias, comerciais, enfim, ajudar a opinião pública a interpretar os fatos – e uma das atividades mais antigas da cidade.

Poderia continuar enumerando aqui uma relação infindável de razões, mas, penso que o leitor concordará quando lembrar que o mundo anda tão desumanizado e há tanta notícia ruim que falar de sexo pode ser terapia. Como? O massacre de Orlando, os estupros, o ex-marido que falsificou um atestado médico acusando a mãe de seus filhos de doente mental e fugiu com as crianças, os golpes que estão por toda parte...

Quer mais um exemplo de como a Zona da Guaicurus merece ser tratada com respeito em relação a outras praças desse país? O meu colega Eustáquio Ramos consultou junto à secretária-geral da Câmara Municipal a relação de vereadores faltosos durante as 40 reuniões entre os meses de fevereiro e maio. Só as sem justificativa. Daniel Nepomuceno faltou 16 vezes, Alexandre Gomes 12, Tarcisio Caixeta 11, Leo Burguês 10 e tem mais uma sequencia que inclui Valdivino (9), Junhinho Los Hermanos (8), Pablito (8), Elaine Matozinhos (7), Preto do Sacolão (6)... Se não pode, não quer ser vereador, por que não renunciar- abrir espaço para um suplente, que quer trabalhar?

Contra a chateação, que venha o Museu do Sexo, temporariamente instalado debaixo do Viaduto de Santa Tereza e onde ontem houve um troca-troca, isto é, quem tinha determinado objeto ligado ao sexo podia trocá-lo por outro…

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