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Que tristeza!

O que mexe com os nervos é pensar que, se isso acontece no estúdio de rádio mais famoso do Estado, o que não ocorre nos barracos humildes de vilas e favelas.

10/12/2014 às 09:56

Sabe aqueles dias que, se você pudesse, passaria a borracha, recusava-se a levantar da cama e pediria proteção divina contra as surpresas da vida? Para mim, foi ontem. Pouco antes de iniciar o programa na Itatiaia recebi recado da produção de que um cidadão residente em Confins estava a caminho da rádio, queria denunciar perseguição por parte de um delegado e pedir proteção das autoridades. Na verdade, a produtora só comunicava porque ela já conhece a prática: todos os que quiserem denunciar poderão fazê-lo, sempre! Pedi também que ligasse para o ouvidor geral de polícia para que ele pudesse tratar do caso, verificar a veracidade das informações do denunciante, dar ao policial direito de defesa, enfim, a prática jornalística habitual.

Durante o programa, o repórter Osvaldo Diniz relatou a terceira etapa de uma operação da Polícia Civil contra a corrupção em Confins, repetiu-se a entrevista do delegado responsável pelo caso e, então, veio a entrevista com o denunciante, que se queixa de perseguição contra ele e a mulher, vereadora, presa na operação... Cinco minutos antes de encerrar o programa, enquanto aguardava contato para repassar o assunto, a surpresa: dois homens dizendo-se policiais civis, invadiram o estúdio para fazer uma prisão. Pedi que esperassem um pouco, que aguardassem na redação ou mesmo dentro do estúdio, apenas o bastante para comunicar a algum diretor da emissora, pois, afinal, sou apenas um funcionário. Mas, antes de tudo, deixei claro que não pretendia impedir a ação policial, menos ainda o cumprimento de um mandado de prisão... Ao contrário, é uma alegria saber que a polícia está combatendo a roubalheira.

As ponderações não foram ouvidas. Paulo Alkmin, o ouvidor de polícia, retornou a ligação e, a meu pedido, falou com os policiais, melhor, os aconselhou por duas vezes: “Façam a prisão assim que o cidadão deixar a emissora”. Consultaram um superior e concluíram o trabalho. Sem mostrar o mandado.

Nunca havia visto aquele preso antes, não sei nada da vida dele e nem da companheira. Nunca vi os dois policiais. Mas, fiquei numa tristeza! Encerrei o programa, entrei no carro e dirigi por meia hora, para outro compromisso e também para assimilar o que acontecera. O que dói não é a desnecessária pressa dos agentes da lei. É pensar que se eles – que são da inteligência da Polícia Civil – agem assim, imagina outros, de operações. O que mexe com os nervos é pensar que, se isso acontece no estúdio de rádio mais famoso do Estado, o que não ocorre nos barracos humildes de vilas e favelas. O que estragou o dia foi trocar elogios a um trabalho bem feito contra a roubalheira pela linha tênue que separa autoridade de autoritarismo.

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