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Que será de nós?

O que aconteceu no domingo é emblemático: um grupo de arruaceiros, disfarçados de torcedores comemorando a vitória do Cruzeiro invadiu uma pista do anel rodoviário.

Estamos vivendo o tempo mais esquisito, em que o bacana é dizer sim a qualquer tipo de manifestação, ainda que violenta, e destinar aos policiais o pior pedacinho possível: devem apanhar, sem reclamar, e só reagir, quando “na estrita necessidade” e, evidentemente, dentro da visão de quem analisa que, quase sempre, já começa a discussão contra o profissional de segurança pública. O que aconteceu no domingo é emblemático: um grupo de arruaceiros, disfarçados de torcedores comemorando a vitória do Cruzeiro invadiu uma pista do anel rodoviário. O tenente Donizeti apareceu para dizer que ali não podia, era perigoso. Foi apedrejado. Haroldo Jackson, cidadão itabirano, passava na hora e descreveu assim:

“Não tem como dissociar, eram baderneiros; estava logo atrás, com um casal de filhos, genro e neto – criança de oito anos; o policial foi muito comedido e calmo. Eu, vendo o ataque dos marginais, em situação de grande superioridade numérica, gritei para que o policial sacasse a arma e se defendesse, mas, fui imediatamente corrigido por minha filha, por instigar a violência. Por sorte, chegaram mais três PMs, mas, não deixa de ser um absurdo e uma tremenda covardia porque os bandidos não estavam comemorando nada e sim fazendo baderna. De resto, lamento pelo mau exemplo que dei ao próprio neto, instigando o policial a reagir com força por mim julgada proporcional”.

Engraçado é que neste mundo maluco, em que um cidadão de 50 anos é preso, na delegacia confessa que atirou pedras num oficial por nada – ou melhor, “fiz isso para proteger uma enteada, que estava no meio dos manifestantes” – por outro lado quem pode vai contratando seus seguranças particulares e os treinando para agirem como se pudessem tudo. Da cidadã Celi da Silva recebi o seguinte e-mail:

“Sábado, presenciei uma cena de troca de tapas e puxões de cabelo no Extra Hipermercados (Santa Efigênia). A segurança da loja cismou que uma cliente estava furtando alguma mercadoria. Acontece que a segurança abordou a cliente antes da mesma passar pelo caixa, estava sentada no setor de  caixa preferencial com um bebê ao colo. Ouve uma pequena discussão e de repente partiram para a agressão de fato, tapas, socos, puxões de cabelo. A cliente gritava que não havia pegado nada e que poderia ter sua bolsa revistada. Achei muito errada a abordagem da segurança da loja, uma vez que abordou a cliente antes de passar no caixa e trocou tapas com a mesma que carregava ao colo um bebê de mais ou menos 5 meses. Não pude ficar pra ver o fim da história, mas os demais clientes se revoltaram contra a segurança (totalmente despreparada) e pediram para a cliente chamar a polícia”.

Esse é o fenômeno: a gente desmoraliza o agente público e fortalece o truculento da esquina.