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Que país é esse?

Que país é esse?

Esse é o título do texto escrito por Gustavo Neves, pai da universitária assassinada recentemente na Cidade Nova. Por falta de espaço, aqui está apenas a parte que mais me preocupa, a tristeza dele com o comportamento de alguns profissionais: “Convivi com um tipo de imprensa indiferente à realidade e honestidade dos fatos, com interesse exclusivamente sensacionalista – criar notícias para aumentar audiência em lugar de levar a verdade ao cidadão. Perdoem se à primeira vista pareço generalizar a situação. Claro que não são todos. Não explicito os nomes para não cometer os mesmos erros que cometeram e usar meu juízo de valor como verdade. Mas eu nem preciso dar nome; basta acompanhar a evolução das notícias e saberão quais os veículos de comunicação que cumprem seu dever com a sociedade e aqueles que aí estão para explorar a dor, a violência e a impunidade para benefício próprio.

Vi a publicação de notícias apenas pela notícia. Sem se importarem com a repercussão; sem se preocuparem em contribuir com a veracidade dos fatos. Apenas com o propósito de gerar “um furo” ou de manipular o cidadão. Vi um profissional da polícia, ocupante de um cargo estratégico, concursado, com bom salário e boa instrução; pago para defender e zelar pela ordem pública, criando factóides, contribuindo para a desordem e fazendo declarações levianas. Acusou um rapaz, inocente, de “ter passagem pela polícia por motivos de droga”. Difamou o nome de um inocente, com a autoridade que lhe foi outorgada e determinou esta verdade que a imprensa, claro, explorou para aumentar sua audiência, suas “vendas”. E sem nada averiguar, instituíram como verdade para a sociedade. Quem ficará responsável por reparar este dano ao jovem e sua família? Impunidade... Que País é este em que a vida é banalizada desta forma? Uns tirando a vida de uma menina inocente, enquanto outros, utilizando-se de outros tipos de armas, destruindo a imagem de um jovem: os motivos: ambos por nada.Até quando? Onde vamos parar? Quando a gente vê notícias e tragédias deste tipo nos jornais, ficamos indignados, mas achamos que nunca irão acontecer conosco. Eu nunca poderia imaginar estar passando por isto. Mas estou. Aconteceu comigo, com minha amada filha. Pode acontecer com você.

Precisamos dar um basta. Não estou querendo levantar a bandeira da moralidade, nem tampouco aproveitar da situação para virar mártir, explorando a minha dor. Este texto é um desabafo e uma súplica. Precisamos ter compaixão. Precisamos despertar a consciência coletiva para construirmos um País melhor. Antes que tenhamos destruído nossa moralidade e o senso de vida em sociedade”.