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Que futuro queremos?

Que futuro queremos?

O mundo está de olho no Brasil e Minas Gerais ainda não percebeu. No próximo dia 13, começa no Rio de Janeiro um encontro da ONU para discutir o que mudou 20 anos depois da grande conferência pelo meio ambiente e encontrar meios para um futuro sustentável, no qual possamos usufruir dos recursos naturais sem comprometer as futuras gerações.

Dois exemplos de como nosso Estado precisa acordar estão nas páginas dos jornais dessa semana. O primeiro deles diz respeito à mata atlântica. Da área original das reservas florestais, superior a 27 mil hectares, temos apenas 3 mil hoje. No ano passado, de todo o desmatamento registrado no país, Minas foi responsável por mais da metade – mais de 6 mil hectares. Aí, a gente tem dois vilôes: o carvão vegetal, que movimenta a indústria da siderurgia, e as queimadas, fruto de nossa falta de prevenção.

Mas, se você ficou triste com esta notícia, tem outra pior: está tramitando na Assembléia Lesgislativa projeto que libera o corte de pequizeiros em nosso Estado. É claro que as versões dependem de que lado o interesse está. O autor da proposta, deputado Zé Maia, não apareceu no início da audiência pública que pretendia explicações dentro da Assemlbléia. O autor do requerimento que resultou na reunião, deputado Rogério Correia, diz que, “na prática, o que se quer é decretar as condições de extermínio dessa árvore símbolo de Minas Gerais”.

Francamente, não li o projeto e não me sinto constrangido para comentar o que considero mais uma desses arranjos que as autoridades fazem para nos fazer engolir absurdos. Já sei qual será a justificativa: em nome do progresso, do desenvolvimento das cidades e dos povos, faz-se necessário, em situações especiais, a supressão de algumas espécies que serão substituídas sem grandes perdas da natureza. Balela!

Se você já sobrevoou nosso Estado sabe que há um continente de terras disponíveis para novos investimentos. Se você já ouviu cinco minutos de palestra do ex-ministro Alysson Paulinelli – uma das maiores autoridades em agronegócios do mundo – sabe que a área já plantada hoje no país, se bem tratada, pode produzir muito mais. É, na verdade, mais um avanço sobre o que ainda nos resta de espaço para respirar. Sem falar no que significa para nossa cultura, nossas raízes, nossa “mineiridade” o pé de pequi. Que país é esse? Que futuro queremos? Alguém, por favor, diga-me que estou errado, que esse tipo de lei não é mais uma artimanha para aumentar riquezas. Se me convencerem, mudo. Não sou poste.