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O que aconteceu no Instituto de Criminalística de Minas Gerais é tão grave quanto a queda de um viaduto em plena Avenida Pedro I

21/11/2014 às 09:20

Todo homem com mais de 40 anos conhece a brincadeira das três maiores mentiras: dinheiro não traz felicidade, o trabalho enobrece e... A terceira não é publicável. Pois bem: a quarta é essa repetida todo dia de que governantes atuam com base nas prioridades. O que aconteceu no Instituto de Criminalística de Minas Gerais é tão grave quanto a queda de um viaduto em plena Avenida Pedro I. O fato de que um freezer desligou, ficou pelo menos dois dias parado e, em consequência, pôs em risco amostras de material genético referentes a investigações de 230 casos é daqueles que animam os mais jovens a tomar o caminho do aeroporto e buscar outro lugar para criar os filhos.

O fato só veio a público na terça-feira, graças às fontes da repórter Camila Dias. Primeiro, tentaram esconder. Depois, desconversaram e, na sequência, como convém a todo vexame, vieram versões. O diretor da nossa Polícia Técnica confirmou o fato e disse que há anos vinha pedindo reformas estruturais no prédio. A assessoria da Polícia Civil negou. Então, a repórter apresentou cópia de um relatório, preparado pela promotora Maria de Lurdes Santa Gema em 15 de julho e com base em uma visita de 15 de maio no qual ela aponta problemas graves, como falta de pessoal, de local para trabalho, de equipamentos e de segurança. Aos poucos, a gente vai ficando sabendo das coisas: no freezer e a temperatura de 80 graus negativos estavam amostras colhidas desde 2008 e que deveriam ajudar no esclarecimento de crimes como homicídios e estupros. Por que as amostras estavam lá? Porque o quadro de peritos prevê 904 profissionais e tem hoje 581. Falta pessoal, há claro no efetivo, como há na Polícia Civil, no Corpo de Bombeiros e é de 12 mil homens só na Polícia Militar...

Você pode não acreditar, mas, embora seja a repartição mais ligada à inovação tecnológica da nossa Defesa Social, a perícia funciona desde 1992 em um prédio já recebido com décadas de uso – aquele que abrigava a fábrica de cigarros Souza Cruz, na Augusto de Lima. O chefe, Marco Antônio Fonseca Paiva, cansou de pedir reformas e nunca foi ouvido. Em setembro último o fio do mesmo freezer derreteu; fizeram uma gambiarra e a vida seguiu seu curso. Agora, além do absurdo que é o desligamento de um equipamento que deveria ter sistemas de segurança, a gente tem de aceitar que não havia um alarme, um aviso. Há no prédio da perícia um cartaz para quem quiser ver: “Por motivo de falta de espaço faremos revezamento dos funcionários administrativos”. Se não dá conta de investigar, por que a Polícia Civil insiste em mandar na perícia, identificação, IML e Detran? E nossa Assembleia aprovando fundos especiais de festas e viagens para o Tribunal de Contas e a Advocacia Geral do Estado. Alguém precisa contar para o governador a frase do grande Buda: “Há três coisas que a gente não consegue esconder por muito tempo; o sol, a lua e a verdade”.

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