Eduardo Costa

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Primeiro de maio 

30/04/2020 às 05:24

Nada nunca foi fácil para os trabalhadores. A começar pelo simbolismo do 1º maio que nasceu de uma repressão violentíssima contra trabalhadores que reivindicavam jornada menos exaustiva, lá em Chicago, no Estados Unidos, em 1886. Incrivelmente, a celebração cresceu durante a guerra mundial, em meio a passeatas comemorativas. Entre nós, também foi com muita luta, até 1943 quando nasceu a nossa Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Dizem que foi presente de Getúlio Vargas, “pai dos pobres”; sei não..., mas, que ela trouxe garantias, é verdade!

Nos anos 50, com o entusiasmo do mineiro Juscelino Kubistchek, o Brasil gerou empregos – implantação de usinas, empresas como a Cemig, estradas – e o sentimento foi de bons tempos, ou, “anos dourados”. Nas décadas de 60 e 70, as manifestações em defesa dos trabalhadores, que sempre ladearam as discussões políticas, ficaram ainda mais evidenciadas, dividindo claramente os que eram contra o regime que, com seus sonhos socialistas e suas bandeiras vermelhas, cobraram melhores condições de trabalho, de vida e de liberdade. 

Quando os militares devolveram o poder aos civis o símbolo da resistência entre os trabalhadores logo se tornou referência. E Lula tanto tentou que chegou à Presidência da República. Enfim, diziam os operários mais sofridos, chegou a nossa vez. Alguns anos depois descobriram o tamanho da decepção.

Hoje, a esquerda junta seus cacos, os sindicatos respiram com ajuda de aparelhos e não há qualquer perspectiva de que a gente veja multidões nas ruas neste primeiro de maio bradando por seus direitos. Ao contrário, nesta quinta, a Federação das Indústrias assinou com representantes dos metalúrgicos uma convenção que fala em redução, sacrifício e cuidados com a saúde; e o entendimento foi saudado como a alternativa para a manutenção de 200 mil empregos depois da pandemia. 

Já pensaram no desemprego que se seguirá a estes tempos de isolamento? Já imaginaram quando houver a combinação do vírus com as experiências bem-sucedidas de trabalho à distância, dispensando viagens, hotéis, táxis e diárias? E isto acrescido da natural automação das fábricas, com os robôs tomando o lugar dos humanos? 

Que Deus esteja conosco, trabalhadores brasileiros!

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