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Prefeito perdeu a paciência com o governador

Com o respeito que estes dois governantes merecem, sobretudo pela conduta séria que ambos têm, devo dizer que é uma briga de cachorro grande na qual eu não deveria entrar. Mas, não resisto. E aviso...

Prefeito perdeu a paciência com o governador

Eles se tornaram grandes amigos, desde os tempos em que eram comandados por Aécio Neves. A amizade tem feito bem a Belo Horizonte e um ótimo exemplo é o tão esperado metrô que, se sair, daqui a uns anos, será fruto do relacionamento sincero e focado que a cidade reclamava há décadas. Mas, ontem, em entrevista na Rede Record, Márcio Lacerda, jogou a toalha. Tornou pública sua insatisfação com a falta de cooperação do governador para a solução de problemas que estão tirando a autoridade do prefeito. Na verdade Márcio já havia dado sinais claros de sua insatisfação quando, dias atrás, indagado sobre as manifestações que fecham ruas diariamente na cidade, o prefeito fez coro com os insatisfeitos e classificou a atitude de terrorismo.

Agora, foi mais claro. Eu perguntei sobre a Pampulha e ele mostrou-se esperançoso com a sua transformação em patrimônio da humanidade, acrescentando que Prefeitura e Copasa têm planos concretos de despoluição, “desde que cessem as ocupações indevidas, como aquela das imediações da Ceasa porque elas modificam toda a lógica de colega de esgoto, pondo tudo a perder”... Foi a deixa. Quis saber então se estas ocupações estão prejudicando muito os planos da PBH e Lacerda disparou:

-Nós não aguentamos mais. Eu recebo reclamações de pessoas que têm a escritura de um terreno e o veem ocupado de uma hora para outra, bem como daqueles que, de repente, têm seu comércio ou sua moradia desvalorizada, perdem a paz por conta das invasões. São grupos comandados por pessoas que não têm compromisso com a cidade, que querem furar a fila dos que precisam de moradia e o problema é que não posso combatê-los porque não tenho polícia para tal.

A paciência de Lacerda acabou cerca de 20 dias atrás quando ele tomou conhecimento da ata de uma reunião entre líderes das ocupações e o alto comando da PM, mediada por assessores da Casa Civil, na Cidade Administrativa. Ali está escrito que a polícia só irá iniciar qualquer reintegração de posse após anúncio prévio aos invasores. Para o prefeito, é demais. Ele argumenta que já estão em processo de construção oito mil moradias, há projetos para mais 14 mil na região do Isidoro e mais 6 mil em Capitão Eduardo. Mas, só se houver clima para tal e, sem o apoio explícito do governo do Estado não tem jeito.

Com o respeito que estes dois governantes merecem, sobretudo pela conduta séria que ambos têm, devo dizer que é uma briga de cachorro grande na qual eu não deveria entrar. Mas, não resisto. E aviso que estou do lado do prefeito, neste particular. Digo mais: a minha preocupação vai além das ocupações ou das manifestações que fecham a Praça Sete todo dia; temo é pela crise de autoridade que estamos vivendo. Ninguém manda mais nada nesta cidade e, quando não há limites, quando não há regras, critérios, só o bom senso pode nos salvar. Como ele está de recesso para o Ano Novo, depois tem Carnaval, Copa do Mundo e eleições, não sei aonde vamos parar.

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