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Prazer em atender... Mal!

Prazer em atender... Mal!

Eu nasci num lugar muito perto da capital, mas com jeito de roça, ares de roça e comportamento de roça. Não se falava em supermercado e tudo se comprava num estabelecimento chamado de venda. A gente levava o que precisava tendo ou não dinheiro. E, toda vez que cumprimentava o dono do comércio ele se abria em sorrisos, perguntando como estavam os nossos parentes, mostrando tudo com paciência, resolvendo dúvidas. Em resumo: quem atendida fazia valer a placa afixada na parede: “Aqui, o cliente sempre tem razão!”. Hoje, na cidade grande, no tempo do “call center”, do atendimento automático e da secretária eletrônica, fico me perguntando por que nós - os contribuintes, os destinatários dos serviços - toleramos tanto desaforo. As companhias telefônicas são campeãs, mas as empresas de TV a cabo não ficam atrás. A gente liga e a voz gravada começa o purgatório: “Se você deseja falar com o papa, digite 1; se quer bater um papo com Lula, 2; se quer é namorar Xuxa, 3...” E segue o rosário de possibilidades. Depois de alguns minutos, você aperta a tecla de falar com a atendente e começa uma série de novas indagações ainda com a tal e bendita secretária eletrônica. É de desesperar. E, se for para cancelar o serviço, invariavelmente a ligação cai antes de a gente conseguir. O mesmo governo (federal, estadual e municipal) que não pune as empresas privadas, finge que não vê autarquias prestadoras de serviços públicos agindo do mesmo jeito. Com tanta água em Minas, com tanta chuva nos últimos meses, o que temos é gente desesperada em muitos bairros da região metropolitana e um atendimento horroroso da Copasa. Em alguns casos, além da falta de compromisso, há a terceirização dos atendentes, o que nos coloca diante de pessoas absolutamente incapazes de nos dar informações básicas. Até a nossa Polícia Militar decidiu aderir e, há alguns anos, coloca civis para atender todos os mineiros que ligam para o “190”. Qualquer coronel que entrevistarmos dirá que é uma atividade passível de se realizar com gente não especializada, que são mais de 600 policiais liberados para a atividade fim nas ruas, etc. etc. Mas, o “190” não é a sala de entrada da Corporação? Porque não colocar ali policiais que não têm condições físicas para as ruas? Alguém duvida que se a experiência pode ajudar na hora do telefonema aflito? Será que ninguém na PM conhece os casos de urgência nos quais os bombeiros salvam vidas orientando pelo telefone?