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Pra pensar...

Pra pensar...

Dia desses conheci frase atribuída à filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920) e que nos obriga a pensar sobre muito o mundo que nos rodeia. É a seguinte: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais do que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Alguns episódios recentes, no âmbito nacional, como a absolvição da deputada Roriz, mesmo depois de flagrada recebendo suborno e a reação visceral de alguns partidos depois que a presidente Dilma começou a demitir acusados de corrupção, nos obrigam a refletir muito sobre as palavras de quem fala com conhecimento de causa e de sofrimento. Mas, se não quisermos ir longe, dois episódios recentes na área policial em Belo Horizonte já são suficientes para tirar o nosso sonho.

Primeiro, falemos das duas brigas, em espaço de apenas quatro dias, envolvendo tribos que se autodenominam como “punks” e “skinheads”. Por todos os ângulos que enxergarmos as ocorrências há motivos de sobra para preocupação, a começar pelo fato de se tratar de adolescentes da classe média, absolutamente desprovidos de bandeiras, sonhos ou objetivos racionais que gostam mesmo é de briga, especialmente os “carecas” que têm inspiração nazista – ou seja, são contra minorias, negros, nordestinos, homossexuais, enfim, idiotas absolutamente contrários ao mais bonito da humanidade – a diversidade.

Depois, eles brigaram num sábado e na quarta seguinte em plena Praça da Liberdade, lugar mais simbólico de Minas, que abriga o Palácio do Governo e o Quartel Geral da Policia Militar. Pior, marcaram a briga pela internet. Agora, a PM promete vigiar as redes sociais e agir antes do pior. Tomara. A outra nota triste diz respeito à denúncia de professores em greve de que dirigentes do seu sindicato estão sendo espionados por policiais militares, à paisana. Pelo menos um dos carros filmados nas imediações do sindicato é sim da PM em as placas frias. Isso é do tempo da revolução russa! E sinal de que podemos afirmar, sem temor de errar, que nossa sociedade está condenada.