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Por que temos tanta raiva?

Paciência zero. Este é o novo lema do povo brasileiro. Infelizmente. Logo neste país, cordial (às vezes passando pelo fingimento), agora estamos com os nervos à flor da pele.

14/05/2014 às 11:15

Paciência zero. Este é o novo lema do povo brasileiro. Infelizmente. Logo neste país, cordial (às vezes passando pelo fingimento), agora estamos com os nervos à flor da pele. Se alguém buzina atrás da gente, mostramos o indicador; se demora a acelerar na frente, enfiamos o dedo na buzina; se o motorista do táxi para em local proibido a gente homenageia a mãe dele, sem se importar se é para desembarque de um casal de idosos; quando outro dá seta, no lugar de passagem damos uma acelerada em nosso veículo... 

Ah, e o pedestre, hein? O sinal nem abriu para veículos e já estamos acelerando prá cima dele! Enfim, o trânsito é a melhor representação de nossa irritação. Mas, não é só lá que a raiva se revela. Repare as pessoas falando ao celular, caminhando, fumando, gritando e ameaçando; preste atenção nos casais em casa, no cinema ou no carro; ouça um pouco da conversa em tom alto de pai e filho na concessionária ou mãe e filha no shopping... Todo mundo quer tudo prá ontem e do jeito que cada um de nós imagina. A tolerância com a chefia é impensável, a ponto de reclamarmos da incumbência antes que o superior complete a frase.

O problema é que a falta de paciência contamina. E se espalha como vírus incontrolável. Depois que inventaram a tais redes sociais então, basta alguém falar uma coisa e o mundo se vira contra a pessoa... A gente pode escolher em que área, atividade ou plano de vida se quer um exemplo. Há os mais horripilantes, como a gaúcha que planejou, envenenou e enterrou o enteado porque ele lhe incomodava ou a turma do Guarujá, em São Paulo, que, mediante um boato de internet, capturou, julgou, condenou e linchou uma mãe de família. 

Quero destacar é o que está acontecendo com uma brasileira de 23 anos que optou por ser juíza de futebol. Não bastasse se imiscuir num universo masculino, ainda tem o grave “defeito” de ser bonita. Estão massacrando a moça. Primeiro, é realmente impressionante que tão nova ela já esteja no quadro da Fifa (dizem que uma das razões do fenômeno é que o presidente da Federação de Santa Catarina, o estado dela, agora é vice e poderoso na CBF). Se há alguém interessado em ascensão meteórica da Fernanda Colombo devia ter proibido a comissão de arbitragem de escalar a moça para bandeirar um jogo da dimensão de Atlético e Cruzeiro. Resultado: ela errou e o mundo caiu na cabeça dela. 

De novo, a raiva entrou em campo. Se, um mês atrás, o presidente atleticano extrapolou, falando coisas horrorosas do trio que deixou de marcar um pênalti para o Galo, agora foram os cruzeirenses que disseram poucas e boas. Até sugeriram a troca dos gramados pela capa da revista Playboy para a moça. Crueldade. O Fábio Pereira, do Tocantins, que deixou de marcar a falta que poderia dar o título ao Atlético sequer é lembrado. É homem, não chama a atenção pela beleza. Ou seja, é normal. E nós, em temos de cólera, odiamos ao próximo, especialmente aos mais próximos e, sobretudo, se são “anormais”, diferentes.


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