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Por que tem de ser assim?

Hoje quero convidá-lo para reflexão sobre a instalação de uma banca de revistas em Belo Horizonte.

Hoje quero convidá-lo para reflexão sobre a instalação de uma banca de revistas em Belo Horizonte. Você pode até achar que sou um chato de galocha por dedicar espaço a assunto tão simples e absolutamente comum nas grandes cidades. Acontece que o que me importa não é a banca, mas, como ela chegou ao novo destino.

No sábado, 20, pela manhã, o executivo do setor de imóveis me ligou pedindo ajuda porque acabavam de desembarcar uma banca de revistas em frente à sua loja. Mais que isso, assim que ela desceu do caminhão, já teve início o processo de vendas, pois, as revistas estavam em seu interior. Ele, entre assustado e irritado, queria saber se não havia como argumentar; não se conformava com o fato de ao lado de sua empresa existir uma enorme área de estacionamento e, na outra ponta, a gigantesca calçada daquele Hotel Mercure, na Avenida do Contorno. Na cabeça dele, se houvesse bom senso a banca poderia ficar em área mais apropriada, sem causar tanto estrago na frente do estabelecimento. Eu disse a ele que, como repórter, apenas denuncio situações como esta, mas, indiquei um amigo que poderia fazer a ponte para que ele tivesse respostas da Prefeitura. Até hoje, não ligaram de volta, mas, já informaram ao interveniente que a banca foi instalada dentro dos preceitos legais, não há o que fazer e fim de papo.

O meu amigo não é contra o dono da banca trabalhar. Também concorda que se trata de um comércio útil. Mas, como empresário bem sucedido, que percorreu os caminhos do mercado imobiliário da cidade nas últimas três décadas e é hoje o representante da maior corretora da América Latina, ele achou que teria ao menos a chance de parlamentar. Negaram-lhe a oportunidade. É aí que reclamo. É aí que discordo não apenas da atual administração, mas, de como as cidades têm sido administradas. Na minha cabeça, quando houve o pedido de instalação da banca e os estudos indicaram que a região precisa, dentro das preliminares seria incluída uma visita ao cidadão estabelecido bem em frente ao local escolhido para dar-lhe ciência da licença de instalação e explicar o processo de permissão. Não que o município tivesse de ceder, caso houvesse rejeição porque o prefeito tem nossa procuração para administrar; o que faltou nessa ocorrência e tem faltado corriqueiramente é atenção mínima ao cliente, ao consumidor, ao condômino, àquele que paga a fatura. O dono da banca merece respeito. E o outro, que está ali há anos, paga os impostos, gosta da cidade? O problema é que todos os políticos falam em participação, envolvimento da comunidade, mas, na prática, as nossas administrações públicas são autoritárias. Você, caro leitor, decida, por favor, se é apenas chatice minha ou se, assim, a gente não desanima as pessoas de irem às urnas.