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Por que tanta dor?

Por que tanta dor?

Por sugestão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), centrais sindicais e órgãos públicos celebram hoje o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. É o momento ideal para refletirmos porque a retomada do crescimento econômico não se faz acompanhar de medidas simples que podem evitar tantas mortes e sequelas graves nos sobreviventes. Os números não deixam dúvidas: em 2006, nada menos que 9.200 trabalhadores entraram para a lista dos incapazes para o resto da vida; em 2007, esse número cresceu para 9.300; e, em 2008 chegamos à assustadora anotação de 12.070 inclusos na relação dos afastados por invalidez permanente. No mesmo período, o número de mortos também cresceu de 2.798, em 2006, para 2.845 em 2007, caindo um pouco em 2008 para 2757. Quem pensa que o quadro mudou com a crise que o mundo enfrentou no passado, está enganado. Garante o procurador do trabalho em Minas, Antônio Augusto Rocha, que não consegue compreender a passividade dos empresários que procuram atribuir às próprias vítimas a responsabilidade pelos acidentes, sob argumento de que fornecem os tais equipamentos de proteção individual. Outro dado preocupante é que, embora a atividade profissional tenha sofrido alterações, com mais prestação de serviços, informática e serviços de alta tecnologia, os acidentes mais graves continuam na indústria – especialmente a de construção civil e nas mineradoras. E a bola de neve não para de crescer: no ano passado, só na região metropolitana de Belo Horizonte, 43 operários morreram na construção civil; esse ano, já morreram 15. Algo precisa ser feito.