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Por que queimam os ônibus?

A insegurança pública é feita de ondas. A do momento é incendiar ônibus.

26/11/2014 às 09:37

A insegurança pública é feita de ondas. A do momento é incendiar ônibus. Para mim, trata-se de ato terrorista - ações violentas que causam prejuízos materiais ou morais, destruição e mortes. Normalmente são de origem política, às vezes têm raiz religiosa, mas, no caso brasileiro trata-se de caldo preparado com impunidade, falta de respeito à polícia e, na maioria das vezes, palanque no qual bandido nem tão perigoso assim manda recado às autoridades e mostra-se violento para os de sua comunidade, sem, ao menos, ter a coragem de ele mesmo fazer – manda alguém, de preferência menores de idade.

Mas, como toda regra tem exceção, existem os incêndios promovidos por usuários insatisfeitos, nunca ouvidos pelos que decidem e desrespeitados pelos que operam o sistema de transporte de massa, além de sofridos por uma vida inteira e que, um dia, como água represada, explodem suas barreiras, extrapolam os limites e agem como vândalos. Trago aqui um relato de meu colega Sérgio Coelho, operador técnico da Rádio Itatiaia sobre o que aconteceu com ele entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira:

-“Saí da rádio, no Bonfim, as 10 e 50 da noite e, sabedor de que seria assaltado na passarela da Lagoinha, tomei táxi até a Estação Santos Dumont, de onde segui, de Move, até a Estação São Gabriel; lá cheguei 11 e 30, bem a tempo de pegar o ônibus para meu bairro, Vitória, as 11 e 40. Só que não passou... Então, por volta de meia-noite e meia resolvi voltar ao centro e pegar o ônibus que me levaria direto até minha casa. Para tal, tinha de mudar de estação, ir até a BH Bus, e, na passarela, tive de correr de dois ladrões que queriam me assaltar. Por sorte, ao chegar do outro lado, o coletivo parou, entrei correndo e segui de novo para o centro, onde cheguei mais ou menos 1 e 15 da madrugada... As pessoas que estavam no ponto me disseram que o ônibus não tinha passado, então, viria nos próximos dez minutos. Esperei... Nada... 2 da madrugada, 2 e meia, 3 horas e desisti. Então, tomei outro táxi, voltei ao trabalho, encostei numa cadeira e passei a noite.

Nem o Sérgio nem ninguém deve colocar fogo num ônibus, pois, isso é crime, prejudica os demais usuários do dia seguinte, gera desordem pública, deve ser repelido. Mas, como sempre tem um “mas”, lhe pergunto se um cidadão que sofre isso com frequência, por anos, deve ser chamado de terrorista se, num dia de fúria, perder a cabeça e extrapolar... Queria saber também quantos usuários podem gastar 40 reais com táxis, mais duas passagens de ônibus e ainda encontrar um cantinho prá passar a noite?


Quem é o vândalo? Ele, o dono do coletivo ou os dirigentes da empresa pública que deveria impedir o abuso contra o passageiro? Ou vereadores, deputados, gente financiada pelo sistema que nunca anda de ônibus para saber como sofrem os que pagam a conta?

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