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Por que a gente quer sempre mais?

Por que a gente quer sempre mais?

Antes que a gente se esqueça dos jogos olímpicos de Londres queria convidá-los à reflexão sobre reações diferentes que assistimos pela TV nos dias de pura adrenalina na grama, na água e no asfalto. Primeiro ponto: há ainda alguém que duvide da importância de se privilegiar a educação, diante do quadro de medalhas? Há alguma outra explicação para o sucesso da Coréia do Sul? E o fato de Cuba, a ilha que é do tamanho geográfico de Sergipe e tem a metade da população de Minas, fica sempre muito na frente do Brasil por quê? Outra coisa: alguém discute que os ingleses de prepararam para não fazer feio, considerando que os anfitriões ficaram em terceiro lugar? Então, como vamos agir para fazer bonito no futuro? Tendo-se 2016 como referencia, o jeito é juntar todas as forças – “prá ontem” – e traçar metas ambiciosas, com envolvimento de verdade do poder público e apoio irrestrito da iniciativa privada. Mas, quando o horizonte é o futuro a médio e longo prazo, para nos tornarmos uma potência olímpica, aí o buraco é mais embaixo e a saída é dar outro tratamento à educação, como um todo, da alimentação ao rigor dos processos pedagógicos. Agora, o que queria dizer mesmo é sobre à reação dos atletas ao final das competições: como me espantava a tristeza de alguns ao receber a medalha de prata... Eu sei que o ideal de todos é sempre ser o melhor, mas, meu Deus, então, ser segundo  melhor do mundo, não é motivo de imensa alegria:? E aqueles que, chegando em último lugar, choravam de felicidade porque estavam completando a prova? Aqueles sim são uma lição... Os jogos nos ensinaram mais uma vez que a gente deve amar tudo o que tem, mas, não precisa sofrer por não ter tudo o que ama. Por isso é que devemos observar as crianças... Na sua bendita inocência, elas ficam felizes com qualquer coisa... Um simples sorriso, uma gracinha, um doce então... Elas também acreditam em tudo e em todos, não fazem pré-julgamentos, não têm as vaidades que nos tiram o brilho dos olhos só porque não estamos no ponto mais alto do pódio. Deveríamos comemorar todos os dias o fato de estarmos vivos, de termos braços, olhos, correr, chorar, vencer, perder, recomeçar...