Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Por que a gente num tá na rua?

Quase uma semana depois, as imagens daquela multidão nas ruas de Paris não saem da minha cabeça.

16/01/2015 às 10:38

Quase uma semana depois, as imagens daquela multidão nas ruas de Paris não saem da minha cabeça. Instado pelo amigo Luís Borges esqueço os cuidados que repórter deve ter, para dividir com os leitores uma pergunta: se todo mundo, quando se sente angustiado, reprimido, limitado nos mais seus sagrados direitos de ir, vir e se expressar vai para as ruas e pede socorro, por que é que a gente ainda não foi?

Não estou falando de “Black blocs” ou qualquer grupo de pessoas que se escondem atrás das máscaras para cometer violência. Nem penso em reforma política ou aumento de salário como bandeiras. Sem ignorar nossas deficiências na educação, na saúde, na habitação e em outras necessidades básicas, eu acho que o mais grave e urgente é a segurança pública. Estou falando do direito de sair de casa, tomar um ônibus, ir à padaria, comprar uma joia, chegar a cara na janela... Ou, mais importante que isso, fazer planos para os nossos filhos acreditando que vão viver para realizá-los. Por força da profissão, sou bombardeado com informações de violência o dia inteiro, onde quer que esteja e algumas são sintomáticas de um tempo sem lei. Estou certo de que os bandidos, verdadeiramente perigosos, não passam de duas mil pessoas em Minas Gerais. No mais, são delinquentes que têm terreno fértil com a desordem generalizada que assola nosso país, onde se pode tudo, na bordoada, no grito ou “na tora” como dizem alguns amigos.

Vejamos a Savassi, que hospeda o quinto melhor colégio do país e é uma das regiões mais tradicionais da cidade, com imóveis de metro quadrado mais alto que o de cidades festejadas, como Miami. Apesar de todo o seu charme, sua importância econômica e política, é uma terra de ninguém. Os comerciantes amarram vasos de flores com correntes, fecham lojas desesperados e não conseguem relaxar nem para o lanche. Não há assaltante perigoso; são apenas farrapos humanos, usuários de drogas, que precisam de um tratamento, mas, paralelamente, devem ser retirados das ruas porque oferecem riscos – a eles próprios e a terceiros. Não temos um plano de assistência social para cuidá-los, policial não pode tomar providência e o quadro vai piorando, piorando...
Está assim, por todo lado... E a gente só se escondendo...

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    O suspeito foi contido pelos próprios passageiros até a chegada da Polícia Militar (PM) #Itatiaia https://www.itatiaia.com.br/noticia/homem-e-preso-apos-mostrar-genitalia-e...

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Rede pública de Belo Horizonte tem cinco vezes menos leitos que no auge da pandemia #Itatiaia https://www.itatiaia.com.br/noticia/com-menos-leitos-e-mais-casos-90-dos-leito...

    Acessar Link