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'Petrolão' e o suicídio

Sou da geração que só viu crise, mordaça, roubalheira, desonra e, em brevíssimos parênteses, um pouco de esperança. O período mais animador...

18/03/2015 às 04:41

Sou da geração que só viu crise, mordaça, roubalheira, desonra e, em brevíssimos parênteses, um pouco de esperança. O período mais animador ocorreu poucos anos atrás, quando Lula, tendo a sabedoria de seguir a política econômica de FHC que tanto criticava, mas, com um olhar inegavelmente mais voltado para os pobres, levou o frango à mesa do miserável, possibilitou ao pobre conhecer avião e nos permitiu andar com os ombros erguidos diante dos povos ditos desenvolvidos.

A safadeza e a falta de compromissos que nos rodeiam desde 1500 fizeram do nosso presidente operário um decrépito que nada via e não ouvia sobre a turma do Zé Dirceu e nosso castelo de sonhos desmoronou. No ano passado, quando já se sabia que dona Dilma estava com lama até o pescoço, mas dizia navegar em águas calmas, houve uma opção de mudança com Aécio; contudo, a maioria dos brasileiros concordou com Luciana Genro – na briga entre tucanos e petistas é o sujo falando do mal lavado – e o Brasil não mudou. Restou-nos um país dividido e o pior momento que já vivi (ou, pelo menos, percebi) em quase seis décadas de labuta. 

Estou impressionado. Não há um só lugar, uma só prosa ou um encontro com amigo que não ouço falar de dificuldades, falências e desemprego.

Não quero discutir política e economia. Quero falar de suicídio. Fosse eu capaz de pautar a imprensa brasileira, convocaria os colegas jornalistas para ignorar o “pacto” antigo de não se falar sobre o autoextermínio. Concordo que uma abordagem sensacionalista, gratuita, pode ter resultados catastróficos. É só voltar no tempo, final do século 18, quando “Os sofrimentos do Jovem Werther”, de Wolfgang Goethe, provocou uma onda de suicídios na Europa. 

Eu falo é de veiculação de mensagens positivas, esclarecedoras, no meio de nosso sangue ensandecido das ruas e as entrevistas descaradas dos engravatados. Eu falo é de apoio institucional a entidades como o Centro de Valorização da Vida. Eu peço é atenção ao comportamento dos que convivem conosco, mas, especialmente, os mais vulneráveis: adolescentes e idosos. 

Na era do celular, a gente só fica olhando pra ele, enquanto uma pessoa querida pede socorro bem ao lado. Com a desesperança, a avalanche das drogas e a volta do desemprego os casos, historicamente subnotificados, tendem a crescer. E, mais ainda, pela omissão nossa, dos jornalistas, a pretexto de bancar o politicamente correto. Na sexta, escrevo mais.

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