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Perplexidade nas veias

Ricardo é empresário. Boa prosa, coração grande e sensibilidade à flor da pele. Enquanto caminhávamos para espantar infartos e outros monstros do mundo moderno, ele contou...

06/06/2014 às 12:58

Ricardo é empresário. Boa prosa, coração grande e sensibilidade à flor da pele. Enquanto caminhávamos para espantar infartos e outros monstros do mundo moderno, ele contou, emocionado, sobre visita à Fundação Hemominas no sábado, dia17. Após ouvir notícia sobre falta de sangue, imediatamente sugeriu à esposa que fossem até à Alameda Ezequiel Dias, colaborar. Ele tem de se conformar – mesmo discordando – com a proibição de doar, porque teve hepatite quando jovem, mas a mulher tem sangue raro. Imediatamente, ela topou. Foram até o mais conhecido banco de coleta da cidade. Lá, perguntou se haveria possibilidade de parar o carro dentro do estacionamento e permanecer dentro dele, esperando a esposa. Uma gerente foi chamada e autorizou. 

A princípio, queriam marcar dia e hora para a doação. A esposa se ofereceu. A princípio, queriam agendar outra hora, ela ponderou que tinha seus afazeres e convenceu as atendentes à retirada do sangue imediatamente. Enquanto era atendida, Ricardo observava algumas coisas. Primeiro, o bom atendimento por parte de duas estagiárias... Perguntou se tinham algum treinamento, responderam que não. Depois, quis saber por que havia ali, na metade da manhã, pessoas que só teriam o sangue retirado às 13 horas. Explicaram que a é limitação de máquinas e pessoal. Pela cabeça do meu amigo passaram dezenas, talvez centenas de perguntas. Em respeito aos seus princípios, e aos olhos umedecidos com os quais falou a respeito, vou tentar reproduzir aqui algumas perguntas do Ricardo:

Por que ainda vivemos dificuldades para a obtenção de sangue, algo tão básico, sinônimo de vida? Por que há limitação de pessoas e máquinas para coletá-lo? Por que não tratam melhor quem vai levar o mais puro ouro, indispensável a cada um de nós no momento mais crucial? Por que não vão atrás do sangue, disponibilizando vários ônibus que, mediante prévio agendamento, visitariam bairros, condomínios, clubes, praças públicas? Aonde vai tanto imposto, tanta arrecadação, se não são capazes de priorizar uma das mais sagradas ações públicas? E as campanhas de conscientização de novos doadores, por que não se repetem, melhor, não são rotina dentro das polpudas verbas que todo governo gasta com publicidade? Por que, embora saibamos que o sangue corre nas veias de todos nós, só os soldados e os operários doam ainda que os coronéis e executivos engravatados venham a se beneficiar? Que sociedade é esta que não consegue garantir nem um “sanguinho básico” para os semelhantes?

Ricardo continua cheio de perguntas. Estamos todos, cheios de perguntas. Mas, o mundo é feito de perguntas. A propósito, mais uma para o pessoal do governo: como diz o técnico no futebol de várzea, quando o jogador está devagar - ou o chefe quando seu subordinado está enrolando - “não dá prá um sanguinho aí e resolver o que interessa?”.

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