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Pedro Carrapeta, uma lembrança

Pedro Carrapeta, uma lembrança

06/05/2013 às 02:13

Nos anos 70 do século passado, um programa de rádio parava Belo Horizonte na metade do dia. Era o “Rádio Polícia”, versão mineira de outras experiências Brasil afora que consistia na dramatização dos casos e das ocorrências que chegavam às delegacias.

O grupo de apresentadores era dos mais competentes e envolvia, entre outros, José Lino Souza Barros, José Penido, Wellington de Castro, Valter Luís e Amir Francisco, mas, o redator, aquele que efetivamente cuidava de preparar o roteiro e garantir o clima era Pedro Luís, cujo apelido – “Carrapeta” – acabou se tornando sobrenome, na boca do povo. Pedro era, sem dúvida, um dos mais desvairados numa época em que o rádio era feito por românticos.

Alguns não mudavam de roupa para anunciar que a terra estava pegando fogo em determinada região do Estado ou, quando havia chuvas torrenciais e não se dispunha de recursos para contratar um helicóptero, colocavam uma enceradeira ligada dentro de uma bacia d água e diziam estar sobrevoando a cidade inundada.

Meu primeiro contato com Pedro Luís Carrapeta foi numa manhã chuvosa, no Bairro Primeiro de Maio, quando eu usava um telefone de mercearia para contar aos ouvintes sobre acidente de um avião que caiu logo após levantar vôo da Pampulha. Ele entrou esbaforido, arrancou o aparelho de minhas mãos e disse: “Dá licença, Sou o Pedro Carrapeta da Rádio Itatiaia e preciso desse telefone”. Tomei-lhe de volta e disse, já gritando: “Sou o Eduardo, da Rádio Guarani e você vai esperar um pouco”. Como todo cidadão aparentemente indomável, Pedro tinha bom coração e gostou de mim imediatamente.

Os anos passaram, Carrapeta perdeu o emprego na Itatiaia, fez algumas incursões pela televisão, criou personagens assombrosos como a “Loura do Bonfim”, mas, como tudo e todos passam, passou. E sua vida foi piorando, se afastando da família, bebendo cada vez mais, até parar nos surrados sofás de ferro-velho da Lagoinha.

De vez em quando aparecia, para pegar 10 reais que imediatamente eram transformados em cachaça. De repente, há uns dois ou três anos, sumiu. Já tentei confirmar a sua morte, que teria ocorrido debaixo de um viaduto na Cidade Industrial. Não consegui. E, quando vai chegando essa época de Natal, quando a gente olha no retrovisor para o balanço anual, quando sente falta dos queridos, o Pedro Carrapeta é uma lembrança obrigatória. Por que tinha de ser assim?

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