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Patrus colheu o que não plantou

Em várias ocasiões, nos últimos 13 meses, usei este espaço para manifestar tristeza com o clima de ódio que tomou conta das ruas desde a última eleição...

11/11/2015 às 02:55

Em várias ocasiões, nos últimos 13 meses, usei este espaço para manifestar tristeza com o clima de ódio que tomou conta das ruas desde a última eleição presidencial. Como o episódio envolvendo um ministro de Estado, registrado no domingo (8), em Belo Horizonte, não mereceu o repúdio devido (pelo menos na minha opinião), volto ao tema para dizer com todas as letras que Patrus Ananias não merece a grosseria de que foi vítima ao deixar um bar perto de sua residência.

Para começar, não creio que qualquer cidadão – seja Eduardo Cunha, Paulo Maluf, Ossama Bin Laden ou Judas – mereça ataques mal educados quando, no domingo, está em companhia da esposa em um restaurante. Depois, Patrus, ao contrário de outros petistas, como Vaccari e Genuíno, não foi preso, acusado de roubalheira; também nunca foi arrogante, como Zé Dirceu, ou omisso como toda a bancada mineira em Brasília tem se revelado, ou covarde, como foram os petistas da Assembleia que votaram recentemente o aumento de ICMS. O PT de Patrus não merece a má educação de que vem sendo vítima em avião, restaurante ou qualquer parte, mas, não pode se queixar; afinal, lá atrás, nos anos 80, o partido tinha um monte de patrulheiros que – mesmo dentro do Sindicato dos Jornalistas – ousavam olhar diferente para o repórter que não vestisse a camisa vermelha. Patrus, não!

Patrus foi um prefeito que subiu o morro, ganhou a confiança de verdadeiros líderes comunitários, como dona Dalila, e construiu o maior projeto de política pública que já vi – o Vila Viva. Votei nele para deputado e, como virou ministro, fiquei furioso. Com o tempo, entendi que fora levar sua sensibilidade (e a de amigos do peito como a saudosa Regina Nabuco) para ajudar Lula a construir o maior projeto de combate a fome que o mundo já viu. Lula mudou, pecou, traiu, fingiu-se de surdo e cego que não quer ver, mas, Patrus, leal, saiu de mansinho quando, se fosse doido com poder, teria se feito o sucessor do metalúrgico. De volta a Minas, Patrus foi massacrado por Pimentel nos bastidores, perdeu espaço, diretório, perdeu meu voto quando decidiu ser vice de Hélio Costa, fez de tudo para ser petista fiel.

Até ser ministro de Dilma, Patrus topou. Em nome da lealdade. Ele podia ter pulado do barco, quando começou a fazer água meses atrás, mas não é oportunista. Quem o conhece sabe que ele tem um baita emprego público, por concurso, gosta mesmo é de ler, andar pelas ruas da sua Belo Horizonte, com dona Vera, filhos e netos. Não podemos permitir que seja constrangido.

Assim como ninguém que conhece Anastasia acreditou que ele tivesse levado dinheiro de doleiro, ninguém que conhece Patrus admite que ele pegou um centavo de dinheiro público. Ainda que recursos de origem duvidosa tenham passado por campanhas eleitorais, pois, do jeito que elas são feitas no Brasil, ou é assim ou não se ganha as majoritárias.

Caro Patrus, não sou PT e nem seu companheiro, mas, quando for de novo ao Bar Brasil, me avise: será um prazer tomar uma contigo! 

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