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Patrulhas

A partir do texto sobre preconceito, recebi inúmeras manifestações e descobri pesquisa interessante do professor Carlos Frederico de Brito d´Andréa, da UFMG, sobre a controvérsia em torno do grande número de votos do PT no Nordeste

A partir do texto sobre preconceito, publicado anteontem, recebi inúmeras manifestações e descobri pesquisa interessante do professor Carlos Frederico de Brito d´Andréa, da UFMG, sobre a controvérsia em torno do grande número de votos do PT no Nordeste. Fez mapas, que agregam 1713 tweets em cinco horas, na noite de domingo último, nos quais brasileiros de diversas partes do país disparam contra os irmãos daquela região, com adjetivos como idiotas, burros e preguiçosos. Também existem propostas de explodir a região e até separá-la do restante do país.

Sem querer minimizar, Carlos Frederico concorda comigo que a maioria das pessoas que escreve determinadas aberrações sequer sabe direito o que está falando e não considera, por exemplo, que alguns de seus ídolos, como Gonzagão, Ariano, Caetano, Jorge Amado e Ivete, Catulo da Paixão Cearense tantos outros nasceram naquela parte do Brasil. Esquecem-se até de que as regiões hoje mais desenvolvidas vieram depois; tudo começou lá, no litoral baiano. O problema é que algumas manifestações são de fato preocupantes, como um blog, que reúne mais de 100 mil pessoas da área da saúde – especialmente médicos – e propõe castração química para o Nordeste.

A conversa com o professor ganhou outro rumo. Ele, mais jovem, concorda que em momentos de maior comoção, como na Copa do Mundo e nas eleições, a gente deixa fluir algo que está no nosso interior e, como as mídias sociais dão a impressão de que se pode falar o que quiser, a boca abre e assusta o mundo. Quando há disputa, a gente esquece a riqueza da diversidade, do pensar diferente, e deixa de torcer pelo nosso candidato para hostilizar os que gostam de outros. Eu contei a ele que, no domingo, ao comentar, no rádio, que os tucanos perderam em Minas pela arrogância na indicação de Pimenta, fui acusado de ser petista.

Na segunda, instado a comentar o segundo turno, disse, entre outras coisas, que Aécio chegara por se mostrar (pelo menos nos debates) mais tranquilo e preparado; fui ameaçado de processo por propaganda tucana. Na quarta, depois do texto sobre o preconceito, usuários do Facebook anunciaram a minha filiação petista. Por que as pessoas acham que um atleticano não pode admitir o título para o Cruzeiro? É proibido ter um lado e respeitar o outro? E por que tanta preocupação com o que pensam os outros, se Deus deu uma vida a cada um de nós exatamente para que possamos cuidar dela? Tchekhov tinha razão: “O amor, a amizade e o respeito não unem as pessoas tanto quanto o ódio a alguma coisa”.

No que me toca, declaro minha preferência: entre Aécio e Dilma, fico com o Darci Ribeiro. Os três são mineiros, mas, infelizmente, o meu modelo de governante está em outro plano. Então, terei de fazer minha opção dia 26 escolhendo o (a) que é menos perigoso (a) para o futuro de minhas filhas. Advertindo a Dilma e Aécio que ambos devem muito a seu Estado natal, a começar por um metrô de verdade, BR 381 duplicada e um Anel Rodoviário decente, humanizado.