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Pânico ou prevenção?

Pânico ou prevenção?

O que deve fazer a polícia diante da ameaça real à população por um homem ou um grupo? Trazer a público o fato, dar detalhes, características de procurados e pedir ajuda de todos? Ou, para evitar pânico, trabalhar em silêncio e só se pronunciar quando do esclarecimento do caso? Essa é uma daquelas polêmicas sem fim, mas, de minha parte, não tenho dúvidas de que o melhor é ser transparente, dizer a verdade, e pedir auxílio de todos, especialmente dos que têm a responsabilidade de informar. Tomemos os dois exemplos mais recentes: o do maníaco que estava atacando na região de Contagem e o estuprador de dentistas. No primeiro caso, mantiveram segredo até que várias vítimas pagassem caro e um corpo fosse enterrado como indigente, depois de três meses na geladeira do IML, enquanto seus familiares o procuravam. Quando a notícia do maníaco correu o Estado, apareceram informações importantes, inclusive de outras vítimas que escaparam, além de testemunhas. Agora, quando surgiu esse estuprador de dentistas, delegadas que combatem o crime contra mulheres fizeram um trabalho de investigação que resultou na identificação do suspeito. Então, procuraram os veículos de comunicação e deram o alerta. O resultado foi uma mobilização por todos os lados, as dentistas fizeram correntes passando informações e, felizmente, nenhuma nova vítima foi feita até que ele fosse preso. Então, ainda que respeite opiniões contrárias, sou definitivamente a favor de que nada seja escondido da população. O que pode evitar o pânico é a responsabilidade dos jornalistas, combinada com um relacionamento sério com as fontes, de forma a informar sem alardear e garantir a prevenção sem espalhar a insegurança.