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Ouçam a meritíssima

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A juíza Valéria Rodrigues, da Vara Infracional da Infância e Juventude, devia ser recebida pelo menos uma vez por mês pelo governador e pelo prefeito da capital. Ela é daquelas magistradas que não se fecham em seu gabinete, procura o diálogo, sugere, critica e não se limita a cumprir formalidades burocráticas. Agora, ela está pedindo ao Estado a construção de leitos hospitalares destinados aos usuários de crack. Ela sabe o que está dizendo. E não o diz por chatice. Bem sabe o atual governador que Valéria Rodrigues e Hebert Carneiro são os dois magistrados que mais cooperam. Hebert, recém promovido a desembargador, ajudou demais na solução dos problemas carcerários quando respondia pela Vara de Execuções Penais. Valéria cuida dos casos que envolvem menores infratores e sabe reconhecer, por exemplo, que, para esses, o Estado já construiu os centros de internação necessários. O problema, urgente, agora, é o usuário de crack. A droga alcança contornos trágicos, espalha-se entre pobres e ricos, vitamina as ocorrências criminais, inferniza a vida das famílias e leva mães à loucura, diante da impotência ante a um jovem incontrolável, que vende de panelas a televisores qualquer coisa que resulte em dinheiro para comprar mais droga. O problema não está restrito a Belo Horizonte ou a Minas Gerais. É um espanto nacional e a falta de reação da sociedade beira ao inacreditável. Então, por que não ouvir a juíza e construir leitos específicos porque – dizem os especialistas – não há chances de retirar do fundo do poço o viciado sem internação para que possa se desintoxicar. Vamos fazer alguma coisa ou esperar que o pior aconteça, a situação fuja definitivamente ao controle?