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Os ostomizados agradecem

Os ostomizados agradecem

Numa sala modesta do vigésimo primeiro andar no velho e conhecido Edifício Mesbla você pode encontrar a Associação Mineira de Ostomizados. Quase nenhum barulho, mas que trabalho! Fiquei lá por apenas dez minutos, o bastante para sair impressionado como pessoas de bom coração se dedicam, voluntariamente, a ajudar quem precisa da mais básica das necessidades humanas: a informação.

Ali, os que necessitam usar bolsa coletora de urina e fezes aprendem como fazê-lo, descobrem que não precisam gastar dinheiro extra, mas, principalmente, sentem-se normais de novo, requalificam o dia-a-dia, encontram forças para readequar sua vida.

Vale lembrar que a palavra ostomizado implica em complicações as mais graves. A própria definição de ostomia é complicada: trata-se de um procedimento cirúrgico que consiste na abertura de um oco como, por exemplo, algum trecho do tubo digestivo, do aparelho respiratório, urinário, podendo manter uma comunicação com o meio externo, através de uma fístula, por onde se pode conectar um tubo de inspeção ou manutenção.

Conforme o local onde foi feita a ostomia dá-se um nome diferente, como traqueostomia e colostomia. A associação, criada em 1997, destina-se a ajudar os que necessitam da bolsa. A começar pela informação de que ela pode ser retirada, gratuitamente, junto ao SUS. Mas, acima de tudo, o trabalho é o de afastar o estigma, considerando que desde pequenos somos treinados para ter nojo de nossas fezes.

Aquela ideia de que as bolsas são sempre mal cheirosas e que seus portadores têm limitações é coisa do passado. No Brasil, estima-se que são 200 mil pessoas; em Minas, cadastrados já são 5 mil, que trabalham, viajam, se divertem, enfim, levam uma vida normal. Na associação não se fala em termos clínicos, pois isso é tarefa dos médicos. A troca de informações combina com o dividir de experiências.

O trabalho é tão gratificante que todos os diretores e funcionários usam ou já usaram a bolsa e as despesas básicas, tais como telefone, internet e condomínio são pagas com a contribuição daqueles que já foram ajudados. Uma iniciativa muito legal que precisa ser divulgada. Se você quer entrar em contato acesse amos.net@ig.com ou ligue para (31) 3212-2276. Ah, você pode também ir visitar a associação, às segundas, quartas e sextas, entre 8 e 12 horas.