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O WhatsApp é meu atestado de modernidade

Os leitores mais assíduos desse espaço sabem que o escriba se preocupa em evitar a síndrome da velhice precoce. Gosto dos jovens, de escutá-los...

17/08/2016 às 04:20

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Os leitores mais assíduos desse espaço sabem que o escriba se preocupa em evitar a síndrome da velhice precoce. Gosto dos jovens, de escutá-los, admirá-los na sua volúpia e especialmente aprecio os que creem na possibilidade de mudar o mundo. Também procuro entender as novidades, adaptar-me aos avanços estupendos da tecnologia, mas, por outro lado, os que me conhecem mais de perto sabem das dificuldades com que me relaciono com ferramentas modernas. E, convenhamos, há manifesta falta de desejo de aprender. No campo da comunicação, demorei três anos para me render à TV a cabo, uso o celular só no básico (falar, ouvir e ler mensagens) e nunca quis conhecer Orkut, Facebook, Twitter e outras redes sociais que prefiro chamar de mídias. Tem agora o tal de LinkedIn, para o qual me convidam todo dia; topo não. Não discuto a importância; afinal, diariamente minhas filhas ou colegas de redação me ajudam a encontrar alguém, resolver algum assunto urgente, encontrar a foto de um criminoso, enfim, são infinitas as possibilidades na “rede”.

O homem tem competência sem limites para criar coisas fantásticas e mais talento ainda para estragar... Então, faltam-me tempo e paciência para, quando de um passeio único, em lugar dos sonhos e momentos exclusivos, em vez de celebrar a vida, ficar tirando fotos para enviar aos outros. Recentemente, estava em uma cidade espetacular, uma Ouro Preto plana, cheia de flores, de vida, de paz, chamada Guimarães, em Portugal, arrepiado com tudo e todos à minha volta, e era ladeado por uma mulher que fotografava freneticamente enquanto dizia à colega que não via a hora de chegar em casa para “postar”. Tudo bem, a vida é dela, mas duvido que tenha observado detalhes de praças inesquecíveis e de banheiro público tão limpo como o da nossa casa.

Por pensar assim, ter dificuldades em acreditar que as pessoas estejam felizes como aparecem nas “postagens”, que tenha tanto jovem correndo na Praça da Liberdade caçando Pokémon, fico preocupado: será que preciso de uma reciclagem? Ah, lembro-me de dois anos atrás, quando realizei o sonho de levar a Sara para passar o réveillon na praia... De trem! Para animá-la, sugeri que convidasse uma coleguinha. Foi prazer inenarrável, excetuando-se o fato de que ela passou 90% do tempo ao celular... Pior, ela no dela e a colega no outro! Tudo bem, de vez em quando a gente tomava um lanche no vagão restaurante e, enquanto elas navegam, eu viajava no minério de Itabira, no verde do Caraça, nas águas de Aimorés... Foi bom, mas voltou a dúvida de sempre na minha cabeça: por que tem de ser assim, as pessoas, pior, os jovens, o futuro, só olhando para as maquininhas, no trem, no restaurante, na cozinha... A prosa está com os dias contados e isso me perturba.

Mas, como não há doença sem remédio, eis que apareceu o WhatsApp! Já gostei do nome porque, há anos e anos, minha Fernanda me perguntava de vez em quando: WhatsApp? Ao que indaguei e ela explicou que era uma gíria americana que queria dizer “e aí?” ou “qual é?”, “qual o problema?.” Quando conheci o funcionamento do aplicativo, me apaixonei, por muitos motivos, mas sobretudo dois: posso responder quando possível e bloquear os chatos. Com o tempo descobri o óbvio, dada a qualidade maior dos brasileiros que é o bom humor: as piadinhas fracas, a molecagem do bem, a gozação que não ofende me prendem para sempre a essa modernidade.

Um ano atrás, quando já apreciava os filmes que telespectadores da Record enviavam com suas queixas, pedindo respostas das autoridades, ouvi, numa madrugada, em rádio de São Paulo, um cidadão falando sobre problema de trânsito. Pela manhã disse à minha diretora na Itatiaia, Maria Cláudia, que pretendia utilizar no aplicativo no cotidiano. E fui convincente: com o “Zap” teríamos qualidade de som, controle do tempo e de conteúdo porque haveria necessidade de receber as mensagens e levá-las para apreciação de nossa Central Técnica para aprovação. Uma semana depois começamos. Dois dias depois meu colega João Vitor Xavier avisou que iria usar, o Robson Laureano foi também e virou rotina em outras emissoras. Hoje, na Itatiaia, por causa dos cuidados com o período eleitoral e a lei que impõe limites para a mídia eletrônica, há uma determinação da diretoria de que todos os programas só coloquem ouvintes no ar pelo aplicativo. Podem dizer que, assim, sem o telefone, ao vivo, no ar, podemos fazer uma censura... Mas o que fazer se a emissora pode até ser fechada caso um ouvinte desatento ou apaixonado anuncie seu voto? É controlar ou se explicar na Justiça Eleitoral.

Dia desses, um ouvinte querido, o José Teixeira, Mutum, do Barreiro, escreveu para lembrar que no sábado, dia 20, faz um ano que o WhatsApp entrou para a história do programa.

Quero comemorar com os ouvintes e leitores. Quantas emoções!

No nosso Chamada Geral de toda tarde, a repercussão do WhatsApp é emocionante. São mil exemplos. Ficarei em dois, da semana passada: quando pedimos comentários sobre o fato de uma americana ter sido levada ao altar pelo homem que recebera o coração do pai, um mineiro já transplantado ligou para agradecer; um dia antes, quando a pergunta era sobre sucesso e felicidade, um rapaz simples mandou mensagem que, para ele, felicidade é levar remédio e café para a mãe, todas as manhãs, na cama. O WhatsApp salva vidas, chama polícia, pede Samu, dá o resultado do jogo, combina o encontro, transmite a música, anima a família, alerta contra o crime e não nos obriga a nada. Grupo, por exemplo, eu saio na hora. O “Zap” é tão bom que, quando um juiz manda bloquear porque não está cooperando contra bandidos, o Brasil fica “p” da vida... Com o juiz! Enfim, como a moda é americanizar nosso dia a dia e quero ser moderno, encerro com afirmando: “I love WhatsApp!”.

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