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O terror está logo ali

O terror está logo ali

Três episódios recentes chamaram a atenção para a gravidade do momento que vivemos no Brasil e, paralelamente, a indiferença com a qual nossos governantes tratam atentados contra a ordem pública e a vida das pessoas. Estamos no olho do furacão de uma serie de atos terroristas que tratamos com rotinas de ocorrências policiais. O mais espantoso foi, sem dúvida, o incêndio de um microônibus no Rio de Janeiro. Desta vez, os responsáveis pelo vandalismo sem limites não esperaram as pessoas descerem, ao contrário, parece que queriam mesmo incinerá-las, ainda que (por mais estúpidos que sejam) saibam que essas pessoas não têm nada a ver com suas angústias – parece que estavam chateados com a prisão de um traficante amigo. Ao ver uma mocinha estudante de teatro com as marcas das queimaduras meu coração fechou. Pior é que um dos principais programas de TV do país fez matéria não para exigir tratamento de choque contra os terroristas, mas para alertar que alguns materiais dos quais são feitos o ônibus, como a poltrona, ajudaram a propagar o fogo... Daqui a alguns dias vão fazer bancos de lata para não propagar incêndios. Outro absurdo aconteceu no Conjunto Palmital, em Santa Luzia, onde marginais invadiram uma feira numa manhã de domingo e ordenaram toque de recolher por estarem insatisfeitos com a morte de um amigo. E 70 dos 100 feirantes desarmaram as barracas, embora estivessem há poucos metros de um quartel. Por último, um desembargador pergunta porque os sem terra podem invadir a praça da Assembléia, urinar nas calçadas, pisar nos jardins, colocar bandeiras nas estátuas de heróis e alterar toda a rotina. Já não devemos preocupar apenas com o Iraque e o Afeganistão...