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O tamanho de nossa insegurança

O tamanho de nossa insegurança

Em meio a tantos fatos, trágicos e inéditos, um sobressaiu nos últimos dias dentro do campo de batalha mais famoso do Brasil que é a cidade do Rio de Janeiro. Um policial de elite matou um pacato cidadão cujo único erro foi usar uma furadeira dentro de casa e que, já prevendo possíveis conseqüências pelo simples fato de estar vivo, ainda teria dito à mulher minutos antes: “Só falta acharem que estou com uma arma”. O policial militar do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o famoso “Bope”, achou que era arma e não teve dúvidas: com um único tiro abateu Hélio Parreira Ribeiro, de 47 anos. O azar dele é que a região onde mora, Andaraí, na Zona Norte do Rio, está sendo ocupada exatamente para melhorar a segurança das pessoas, com a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora. É um fato novo, que gera estresse em traficantes e outros criminosos e exige ações rápidas dos policiais envolvidos. Olhando, de repente, para o terraço de uma casa, o policial achou que via uma pistola UZ1, mas, na verdade, Hélio usava era uma furadeira, para instalar um toldo. Atingido no tórax, morreu na hora. É certo que o assassino será punido. No entanto, não há como condená-lo ou classificá-lo como um matador frio, um despreparado; afinal, ele estava – como estão todos os que atuam no limite entre viver e morrer – sob o efeito de uma droga nova e fatal: a insegurança. Então, ao ver aquele movimento, não teve dúvidas: achando que amigos corriam risco, atirou e matou um inocente. São duas vítimas de um mundo onde mais e mais precisamos pegar com Deus o tempo todo para escapar das balas e dos homens perdidos.