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O silêncio sofrido dos invisíveis

O silêncio sofrido dos invisíveis

06/05/2013 às 02:13

Por conta da correria, a gente não dá atenção ao drama dos humildes. Discutimos os corruptos, nos dedicamos aos próximos, cultuamos aqueles que estão na vitrine e não sobra tempo para os que fazem a máquina girar.

É isso. Os que verdadeiramente põem a mão na massa, como pedreiros, motoristas, vigilantes, industriais, comerciários, guardas, técnicos da saúde não são sequer vistos. E, sem conhecê-los, a gente não pode amá-los; sem amá-los, jamais vamos cuidar de seus interesses.

Colocar aqui, na coluna, toda semana que um auxiliar de enfermagem, aquele que fica lá no CTI, lavando, limpando, acariciando nossos entes quando passam pelo momento mais difícil ganham o salário mínimo que costuma atrasar. Como é que vamos saber do drama de um motorista de ônibus como Antônio Serpa Bonfim, de 38 anos, três filhos, que no dia 11 de setembro, estacionou o ônibus, pediu desculpas aos passageiros e correu para o hospital? Ele estava a ponto de estourar.

Dias antes, uma criança desequilibrou e caiu debaixo do coletivo que conduzia. Tão logo desceu do veículo e ainda sob o impacto do susto e do alívio por não ter passado por cima do pequeno corpo, teve de ser retirado do local rapidamente porque queriam linchá-lo. Chegou à garagem ainda atordoado, até porque toma três medicamentos para se manter de pé, e ouviu do encarregado: “Vá fazer mais quatro viagens”.

Há ainda a história do cobrador Getúlio do Nascimento Balbino, de 31 anos, que não consegue tratamento para a filha (tem um ano e sete meses e não anda), ouviu de um médico que o filho nasceria sem um dos dedos e teve descontado, no contracheque, todas as passagens que o sistema eletrônico – segundo ele estragado – não registrou em uma viagem. São histórias de arrepiar, que ninguém ouve, ainda que seja para desmentir.

E tem sofrimento ainda maior: Aos 18 anos, cursando o terceiro ano do segundo grau, com curso de informática, uma moça não consegue o primeiro emprego de jeito nenhum. Um especialista em RH arrisca um palpite: “Além de não ser do tipo gostosona, que chama a atenção, ela mora em Ribeirão das Neves, o que não ajuda porque o patrão pensa logo no vale transporte mais caro e em possíveis atrasos no inicio do trabalho por conta do transporte coletivo”. Tenho de acreditar que essa gente ainda vai ser feliz, nem que seja em outro plano... Entre nós, sua dor não sai no jornal.

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