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O rádio, o Vale e a amizade...

O rádio, o Vale e a amizade...

Durante entrevista a futuros jornalistas, perguntaram a Januário Carneiro se trabalhar com rádio dava dinheiro. E o maior radialista de todos os tempos em Minas Gerais, sem favor algum, ensinou mais uma vez: “Pode não encher os bolsos, mas preenche a alma”. Lembrei-me mais uma vez dessa verdade absoluta quando, naquela manhã de sábado, me vi diante de um auditório cheio de gente interessada em ouvir a prosa desse repórter.

Alguns meses antes, quando a Associação Mineira de Rádio e Televisão convidou para palestrar no encontro de Capelinha, quase recusei, como tenho feito com relativa frequência, pois, afinal, já uso minha garganta dez, doze horas por dia e não dá para abusar... Mas, a Adriana, porta-voz da convocação, advertira que a sugestão havia partido do Tico Neves, diretor da Rádio Aranãs e anfitrião do evento e que esse seminário seria o primeiro de uma serie de encontros regionais promovidos pela entidade, dentro da filosofia da nova diretoria de ir até seus associados, discutir suas dificuldades, conhecer sua realidade, curtir sua hospitalidade. Isso é sensacional, pensei, pois, além de a AMIRT estar seguindo o conselho do poeta (todo artista tem de ir onde o povo está) teremos sempre a junção de três coisas fenomenais: a riqueza cultural de Minas, a coisa mais bonita entre os humanos que é trocar experiências e o poder incomparável do rádio de aglutinar gente. Eu tinha de ir. E fui.

A viagem é cansativa sim. Afinal, Capelinha não está logo ali. Mas, por que não verificar como está a BR 040, curtir o novo trevo de Paraopeba, examinar as formações calcárias que cercam Diamantina e chegar a uma cidade que está no Vale do Jequitinhonha, mas é também ligação com o Mucuri e o Doce. E como não aproveitar aquela cidade ímpar, onde os dias são quentes e as noites frias, doce de leite, rapadura, café, cachaça e amizade se misturam? E, melhor ainda, como não aplaudir a iniciativa de ouvir as aspirações, as alegrias, tristezas, frustrações e sonhos de cada um dos colegas de profissão?

Um rapaz me perguntou se eu era a favor ou contra a exigência do diploma, considerando que ele não fez faculdade e vê dificuldades de cursar universidade por causa da distância da escola. Uma moça quis saber minha opinião sobre as rádios comunitárias. Um ex-deputado reclamou das rádios “criminosas” como ele classifica as clandestinas. Enfim, uma serie de manifestações, cada uma versando sobre temas os mais diversos, mas todos pertinentes. Todos originados de gente que ama o que faz e quer fazer melhor. Gente que adora o rádio - o veículo de maior credibilidade, que faz da interação sua rotina, que tem no calor humano da emoção sua arma mais forte e que possibilita a verdadeira integração de regiões longínquas, diferentes, como são as Minas Gerais. Ah, Capelinha, a AMIRT está fazendo história, o rádio mostra que é eterno e nós, radialistas, podemos até não ficar ricos, mas, como somos felizes!