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O rabo está abanando o cachorro

Vi na televisão uma reportagem sobre falsificação de cédulas no país e quase caí do sofá com duas declarações.

12/03/2014 às 10:33

Vi na televisão uma reportagem sobre falsificação de cédulas no país e quase caí do sofá com duas declarações. O bacana do Banco Central falou que descobrir a nota falsa é fácil e só depende de “um pouco de atenção” de nós outros, cidadãos. O chique da Polícia Federal advertiu que quem recebe nota falsa deve imediatamente avisar às autoridades, para não se tornar criminoso. Francamente! Até parece que teremos sempre tempo, paciência e competência para olhar cuidadosamente a nota, de encontro à luz, descobrindo qual tem relevo, qual tem bicho... Brincadeira!

Por isso, gosto de um texto com o título acima que circula pela internet e que ousei resumir assim:

José foi assaltado. Assumiu a culpa pelo roubo: “Eu dei bobeira, não deveria ter parado naquele sinal.”. Maria foi estuprada. Deixou clara sua responsabilidade pelo episódio: “Eu vacilei, não deveria ter ido comprar pão sozinha”.  Um ladrão arrancou o telefone celular das mãos de João e ele, João, assumiu total culpa pelo crime: “Eu não sei onde estava com a cabeça quando fui atender uma ligação no meio da rua”. Joana foi morta durante um assalto porque gritou. Foi condenada por todos: “Que estupidez dela ter gritado, todo mundo sabe que durante um assalto o melhor é ficar em silêncio”.  Mário, policial militar, foi morto a tiros por traficantes. Seus familiares o recriminaram duramente: “Ele sempre foi cabeça-dura, nunca quis esconder a farda quando voltava para casa”. Paulo, líder comunitário, foi esfaqueado pelos mesmos traficantes. Seus amigos disseram: “Que falta de juízo, procurar a Polícia para denunciar que o crime estava dominando o morro”.  Marcos teve sua loja assaltada e quase levou um tiro. Seus empregados reclamaram: “Que estupidez, deixar aquele monte de mercadoria exposta na vitrine”. Marcos passou a deixar tudo trancado em um cofre, a loja foi assaltada de novo, e um de seus funcionários, após quase levar um tiro por ter demorado a abrir o cofre, agrediu-o violentamente: “Seu miserável, fica trancando tudo, mais preocupado com as mercadorias do que com a gente”. João estava jantando com sua namorada em um movimentado restaurante quando uma quadrilha armada saqueou todos os clientes. Seu futuro sogro não gostou: “Este rapaz é um irresponsável, ele sabe muito bem que não estamos em época de ficar bestando por aí, jantando fora, e acabou traumatizando minha filha”. Patrícia viajou a negócios. Desembarcou no aeroporto com seu “notebook” e tomou um táxi. Foi assaltada em um semáforo. O chefe disse: “Você não poderia ter desembarcado sem antes esconder o “notebook”.

De exemplo em exemplo, vamos chegando a uma verdadeira “rotina do absurdo”. No Brasil, é normal o cidadão ter medo de andar pelas ruas; é comum um policial não revelar a sua profissão, para não morrer; é usual pessoas pedirem permissão a traficantes para subirem em morros e é rotina abrir-se mão da cidadania mais básica... Tudo é tão normal que as vítimas estão se tornando culpadas pelos crimes.

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