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O prefeito e a arte de diminuir estragos

O prefeito e a arte de diminuir estragos

Embora não me falte coragem para o trabalho e entusiasmo com os desafios, algumas missões não me animam. Uma delas é ser prefeito de uma cidade como Belo Horizonte. Você tem de enfrentar os problemas efetivamente sérios, como mobilidade urbana, segurança, educação e saúde com a urgência que todos exigem e ainda tem o que é pior (e invisível para a maioria das pessoas): aguentar vereadores sem caráter, tolerar assessores incompetentes e sorrir para lideranças políticas sabidamente sem limites por conta da tal governabilidade, isto é, para conseguir uma base de apoio e, assim, aprovar seus projetos, tocar a administração.

Há outra praga horrorosa presente no mundo todo, como formiga e pardal – é o tal do bajulador. Como tem “puxa-saco” em cima de uma autoridade o dia inteiro e a noite também! Tem de administrar também setores da mídia que querem verbas cada vez maiores e mandam repórteres despreparados para as entrevistas, fazendo perguntas sem noção.

Mas, estou certo meus amigos, depois de 34 anos cobrindo agenda de prefeitos, que o pior é tapar os buracos deixados por servidores públicos incompetentes, omissos e preguiçosos. Atenção: não estou dizendo que todos têm esses predicados! O problema é que a maioria nunca está estimulada, então, vai fazendo as coisas como mandam os manuais, da burocracia, sem se importar com o cidadão, com o sujeito principal de sua ação que é o pagador de impostos.

Esta semana, o prefeito está sofrendo com o fogo nas reservas ambientais da cidade e ainda teve de debelar dois incêndios nascidos da irracionalidade de alguns tecnocratas. Primeiro, assinou decreto regulamentando atividades de artista de rua porque, num domingo desses, passando pela Praça Floriano Peixoto, foi abordado por uma senhora, triste com o fato de que alguns mágicos haviam sido expulsos do local por fiscais. Estes disseram que os artistas estavam passando o chapéu, “o que é proibido”. Estragaram o domingo do prefeito.

Agora, se não atrapalhar o trânsito, danificar o patrimônio ou achacar as pessoas, pode! Outra atitude de Márcio Lacerda foi mandar a Secretaria de Meio Ambiente rever a via-crúcis e a lista inacreditável de doações a que está sujeito o cidadão quando pedir o corte de uma árvore. Ele leu nossa coluna e também se pergunta: “Tem base?”