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O país do feriadão

O que a turma gosta mesmo é de folga... Aliás, na última segunda, havia a ressaca; na terça, jogo do Brasil; quarta, o comentário; ontem, feriado.....

Uma família estava angustiada anteontem ao enterrar, à tarde, uma senhora que falecera na noite de segunda-feira. Depois de passar pelo Instituto Médico Legal, o corpo foi liberado no fim da manhã de terça, mas, em decorrência do jogo do Brasil, não conseguiram a certidão de óbito no mesmo dia, em Contagem. Este é só mais um exemplo entre tantos que me levam a convidá-lo, caro leitor, para uma reflexão sobre o nosso jeitinho de esticar as folgas. Nestes dias de espírito da copa, a Assembleia aprovou a extensão, para os promotores, de benesses já concedidas aos juízes, que incluem dinheiro para comprar livros e para mudanças... No lugar de questionar tais privilégios, a seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil comemorou, por ter incluído na nova lei a extensão do recesso para prazos nos processos, o que significa folga geral dos advogados de 20 de dezembro a 20 de janeiro. Tudo bem. Só não me venham depois com a queixa de que nossa justiça está abarrotada de serviço e não consegue ser mais ágil quando uma mãe clama por pensão alimentícia para os filhos ou um criminoso ganha liberdade por excesso de prazo (ficou na cadeia meses e não saiu uma decisão judicial).

Quer ver mais uma razão de espanto? A falta de agilidade de órgãos estaduais e municipais como, por exemplo, as regionais da Prefeitura de  Belo Horizonte. Nos últimos dias, os repórteres tiveram de pedir providências para a sujeira na Savassi, em decorrência da grande concentração de pessoas, incluindo estrangeiros. A Regional Centro-Sul parecia de feriado prolongado e a Superintendência de Limpeza Urbana só começou a lavar ruas fétidas depois da bronca. É bom que saibam que os argentinos vão chegar hoje e amanhã em grande quantidade e, portanto, é necessário aumentar o pessoal de limpeza, os banheiros químicos e outras providências óbvias. É impressionante, aliás, como essa gente já não cumpre deveres básicos.

A mesma regional Centro-Sul está devendo uma resposta há três anos para a dona de uma escola de idiomas da Rua Cláudio Manoel com Pernambuco, na mesma Savassi. Ela quer que removam a raiz de uma árvore já derrubada para que possa refazer o passeio, mas não consegue sequer explicações respeitosas. A gente sabe que as regionais são muito mais úteis para acomodar representantes dos partidos que apoiam um prefeito do que propriamente para apresentar soluções criativas, mas, o que dói é a falta de providências básicas. Parece que as centenas de nomeados em cargos de chefia acham que o problema é todo do prefeito. E só reagem quando ele manda. Ainda que seja uma simples pintura nas grades do Parque Municipal.

O que a turma gosta mesmo é de folga... Aliás, na última segunda, havia a ressaca; na terça, jogo do Brasil; quarta, o comentário; ontem, feriado; hoje, preparação para o fim de semana e, segunda... Bom, segunda tem jogo da seleção e ninguém é de ferro!