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O outro nome do “mensalão” é... Chega!

O outro nome do “mensalão” é... Chega!

Não estou entre os brasileiros que temem a absolvição dos 38 réus ou lamentam o fato de que, em caso de condenação, eles não sairão algemados do tribunal. Dentro do tempo da história, já me basta ver as fotos deles nos jornais, vê-los reclusos, acuados, envergonhados enquanto os advogados levam boa parte do dinheiro sujo que amealharam. Não há dúvidas de que foi um esquema ilegal de financiamento político organizado para comprar apoio parlamentar no congresso.

Ninguém ignora que o chamado mensalão é uma versão mais ousada de algo inaceitável do ponto de vista ético que é a troca de votos nas casas parlamentares pela liberação de emendas ao orçamento, nos três níveis de governo – essa história de que o político indica uma obra, ganha votos para a reeleição e, em troca, faz o que o Executivo mandar. Não somos inocentes o bastante para acreditar que o dinheiro gasto nas campanhas dos candidatos de agora, em Belo Horizonte, por exemplo, cai do céu... Ele vem de construtoras, empresas de ônibus, bancos e, depois, deverá regressar ao doador, através de obras e contratos de prestação de serviços.

A diferença é que o mensalão assustou e nada será como antes. É só perceber como os grandes “showmícios” desapareceram, contratações de artistas estão mais contidas e mesmo a sujeira das ruas diminuiu. A fonte está secando, não por que os “generosos” doadores estejam desistindo, mas, porque todo mundo ficou mais cuidadoso. E terá de ficar. E haverá a cobrança cada vez maior, não há outro caminho para o Brasil, um país que sofre com a cultura da esperteza e dos coronéis.

Hoje, os que frequentam as rodas mais endinheiradas, sabem perfeitamente que muitos de nossos ricos oriundos da publicidade e do sistema financeiro vendem a alma por um bom negócio. E isso já é alguma coisa. Já é exemplo para que possamos mostrar aos filhos, antes que nos digam: “É verdade, pai, que, no Brasil, para se dar bem, tem de ser desonesto?”. Sinceramente, não estou nem um pouco preocupado quando vai terminar o julgamento nem morrerei se nenhum dos acusados for para a cadeia. Eles já foram condenados, já pagam seu preço...

Dê uma olhada no coronel de Patrocínio que perdeu a eleição ou na herdeira de banco que tem segurança armada para ir fazer ginástica na capital... Perguntem ao careca se ele pudesse voltar atrás, perdendo toda a fortuna e o prestígio que julgava ter se ele não gostaria...