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O mundo é bola

Impressionante como nos grandes e nos mais banais temas de nosso dia a dia a gente ainda encontra a tal elite branca, só preocupada com o próprio umbigo.

11/08/2014 às 10:08

O exemplo perfeito da insensatez humana é um vírus chamado ebola e que já matou, só na mais recente epidemia, 887 pessoas no oeste da África. Os sintomas iniciais lembram outras moléstias como a dengue, incluindo febre, fraqueza extrema, dores musculares, dor de garganta, e, na medida em que a doença avança vômitos, diarreias e hemorragia interna e externa. Humanos contraem a doença no contato com animais, como chimpanzés e morcegos e, entre nós, através de sangue contaminado ou simples contato com ambiente contaminado... Até nos funerais de vítimas do ebola há riscos, se outras pessoas tiverem contato com o corpo do defunto.  O período de incubação é de dois a vinte dias, o diagnóstico difícil e, para curar, pode-se levar até dois meses. Especialistas dizem que o surto de agora é sem precedentes e alertam que, embora os casos tenham sido concentrados na África, já houve um registro nas Filipinas.

O que me pergunto é: quando o planeta vai se mobilizar para evitar que tenhamos uma tragédia daquelas que só conhecemos pelos livros, como a gripe espanhola, que matou tanta gente que nunca tivemos um número real, mas, estima-se, algo entre 40 e 50 milhões de pessoas? Você já ouviu aquela sentença de que só aprendemos as coisas através de dois sentimentos – o amor ou a dor? Será que vamos ter de esperar o caos no mundo para dar uma resposta à altura?

Penso que sim. Infelizmente. Na última sexta-feira ouvia o rádio quando três comentaristas opinaram a respeito do ebola e deixaram claro como o nosso mundo é complicado. O produtor cultural comparou o surto a um filme de ficção científica, tamanho o absurdo de sua ocorrência, especialmente no século XXI; a filósofa lembrou que ele é resultado de um mundo desigual, onde muitos não têm as mínimas condições de saúde pública, saneamento básico e que os países desenvolvidos deveriam ajudar a tornar o planeta um lugar mais compatível com a civilização. Por fim, o escritor opinou, com o discurso próprio de quem, provavelmente, foi criado na riqueza, locupletou-se a vida inteira das benesses do conforto e acha uma solução mais simples para tudo. Para o ebola, elaborou um discurso comprido, complicado com a frase mais importante no final: “Se não fizerem uma barreira em portos e aeroportos, a situação vai ficar muito ruim”. Ou seja, na cabeça dele – e da maioria esmagadora dos que habitam o mundo dos ricos – urgente é segregar a doença no continente dos negros e pobres e tocar a rotina.

Impressionante como nos grandes e nos mais banais temas de nosso dia a dia a gente ainda encontra a tal elite branca, só preocupada com o próprio umbigo. Se a violência aumenta no Brasil, vão jogar tênis em Miami; se o ebola mata na África, esquecem o safári e vão curtir o frio do Canadá... Na falta do espírito de solidariedade, é bom lembrar aos poderosos que um pouco de ação, agora, pode evitar o pior, depois. Quando da gripe espanhola, até presidente do Brasil morreu.

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