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O mosquito bate à porta

O tal mosquito que transmite a dengue, a zika e outras doenças é um desses sacolejos que Deus nos dá para mostrar o quanto somos pequenos e desunidos...

09/03/2016 às 04:56

O tal mosquito que transmite a dengue, a zika e outras doenças é um desses sacolejos que Deus nos dá para mostrar o quanto somos pequenos e desunidos. Como pode um inseto aparentemente frágil e cuja proliferação depende de condições especiais, criadas pelos humanos, fazer tanto estrato e trazer tanta preocupação ao mundo inteiro?

A cada dia me pergunto por que a gente chega a um buraco desse tamanho. A falta de políticas públicas, de preocupações efetivas o que realmente importa, a indiferença dos governantes e a nossa orgulhosa mania de achar que o pior só acontece aos outros têm nos feito sofrer muito. E só piora. As doenças mais antigas, de nomes impronunciáveis estão de volta, matando, alarmando e nossos líderes políticos continuam falando de crise, roubalheira e eleições.

O coronel Alexandre Lucas, coordenador de Defesa Civil em Belo Horizonte, faz contas que não deixam dúvidas: Belo Horizonte tem 800 mil imóveis; considerando que a média nacional de domicílios não visitados pelas equipes de endemias é de 20 a 25 por cento – por conta de ausência do proprietário, residência fechada, imóvel em discussão judicial, etc., - podemos imaginar que 200 mil lotes, casas e prédios não são visitados na capital dos mineiros... Ora, levando em conta que, na média nacional, em quatro por cento das visitas são encontradas as larvas do “aedes”, pode-se afirmar que entre 8 e 9 mil domicílios de nossa cidade estão com focos do mosquito perigoso absolutamente fora de controle. O coronel chega a afirmar que os proprietários desses imóveis devem iniciar um processo de escolha, entre os familiares, daqueles que deverão adoecer e, pior, morrer.

Afinal, são 4 mortes confirmadas, dezenas esperando exames de laboratório, num cenário de 31 mil casos notificados, 24 mil aguardando confirmação, 6 mil já confirmados... Ou seja, o mosquito existe, está por aí, voa muito, não respeita limites de municípios, e mata. E a gente faz de conta que é lá no sul da África, algo perigoso, mas, distante. Há um hotel desativado na Rua Rio de Janeiro, o terraço inacabado do Mercado Novo na Olegário Maciel e um sem número de outros locais em que a água está parada, aguardando a chegada dos mosquitos.

Há um insistente pedido para que cada um de nós dedique dez minutos de seu tempo para o controle da proliferação, eliminando, em nossas casas, os locais ideais para procriação, que são vasos de flores, copos plásticos e qualquer lixo mal cuidado no terreiro. A gente não tem esse tempo. E continua vendo futebol, novela, tomando cerveja...

O mosquito é uma realidade e a gente não se deu conta. 

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