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O martírio dos inocentes

A criança estava sentada em um ponto de ônibus, às margens de rodovia de alta velocidade, a “linha verde”, descalço, faminto, vestindo apenas uma camisa do Atlético e todo sujo de fezes.

13/08/2014 às 11:07

Dois fatos fizeram o Brasil estremecer recentemente, em razão da maldade (ou seria loucura?) de uma mãe e da irresponsabilidade (ou seria distração?) de um pai. Ela, em Minas, se irritou com o fato de o filho mexer no celular e o jogou contra a parede, matando-o e, em seguida, escondeu o corpo dentro de um sofá. Ele permitiu que o filho brincasse com um tigre até perder o braço. São, de fato, ocorrências chocantes, mas, convenhamos apenas duas a mais no rol de absurdos que a polícia registra todos os dias. Alguns casos são comoventes, como o daquele menininho que, após a capotagem do carro do pai, perambulava pela rodovia, até ser resgatado.

O que aconteceu com outro menino, de 4 anos, entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, é retrato de uma realidade que mistura miséria e abandono, pobreza e falta de juízo. A criança estava sentada em um ponto de ônibus, às margens de rodovia de alta velocidade, a “linha verde”, descalço, faminto, vestindo apenas uma camisa do Atlético e todo sujo de fezes. Também não conseguia explicar o que estava fazendo em lugar tão ermo, as 3 e meia da madrugada. Um taxista o levou para um posto policial, onde lhe deram banho, acolhimento e já se preparavam para enviá-lo a um Conselho Tutelar quando apareceu o pai, de 27 anos, dizendo que mora numa casa sem porta e, provavelmente por conta disso, o menino saiu altas horas, sem que pudesse fazer nada porque estava dormindo. O genitor também acha que o inocente queria ir para a casa da mãe, pois, hoje, o pai mora com outra mulher com a qual tem outros sete filhos... E, mais, que esta mulher tem outros seis filhos de um relacionamento anterior...

Considerando as informações iniciais, sinceramente me pergunto o que é pior para uma criança de quatro anos: a rodovia feroz e fria na madrugada ou um ambiente familiar dessa natureza. E pergunto aos que defendem mais armas, mais repressão e pena de morte para quem comete crimes se esse menininho não é mais um brasileiro que empurramos suavemente, por ação e omissão, para o mundo dos infortunados que, em consequência, dentro das leis de ação e reação, mais e mais tiram a nossa paz.

Na mesma folha de jornal que li a história do menino fujão da rodovia, ontem, havia mais quatro manchetes de notícias envolvendo inocentes: uma mulher presa em Uberlândia depois de abandonar filhos de sete e de dois anos sozinhos em casa: bebê morreu queimado na casa em que morava com a mãe em Esmeraldas; mãe abandona filha doente para beber e criança é atacada por formigas, e, recém-nascido é abandonado em Búzios.

Meu Deus, qual é o nosso futuro, com as famílias destroçadas, os serviços públicos de assistência social fingindo atendimento e o tecido social esgarçado, perto da ruptura por total falta de convivência humana entre os que o compõem? Anjo da Guarda, proteja nossas criancinhas!

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