Ouça a rádio

Compartilhe

O maluco é só mais um

Os lamentáveis fatos da tarde de sábado em hotel de Belo Horizonte exigem reflexões e providências que fogem do ambiente policial. O fã que...

Os lamentáveis fatos da tarde de sábado em hotel de Belo Horizonte exigem reflexões e providências que fogem do ambiente policial. O fã que premeditou em detalhes o assassinato de Ana Hickmann é só mais um no meio da multidão. Digo isso com a experiência de repórter policial nos últimos 40 anos, cronista da cidade, observador das ocorrências e ouvinte de rádio que confere atenção especial aos malucos. E essa é a palavra. Afinal, existem chatos – especialmente no âmbito do Conselho Regional de Psicologia – que querem dourar a pílula, criar eufemismos e nos obrigar a chamar o psicopata de “pessoa com sofrimento mental” , nos impor a “verdade” de que ninguém mais precisa ser internado e que centros ambulatoriais como os tais “Cersan’s” de Belo Horizonte funcionam.

Acordo todo dia 4 da manhã e começo a ouvir rádio, atento à violência, de 7 e meia as 9 da manhã mostro só barbaridades na televisão e, quando saio, continuo com a cabeça voltada para o tema, agora com vistas ao programa de rádio que, embora não seja essencialmente policial, também tem de abordar assuntos dessa natureza simplesmente porque são eles que retratam a nossa realidade. E o arsenal de atitudes sem nexo, de comportamentos sem parâmetros é cada vez mais espantoso. Não tenho e nunca tive contatos com ferramentas de internet, exatamente por falta de paciência com estorvados que entendem alhos por bugalhos e, ainda assim, tomo conhecimento diariamente de postagens que revelam pessoas muito doentes – ora por necessidade de ostentação, ora por traumas de infância e, com muita frequência, antipatia gratuita e definitiva contra determinada pessoa. Especialmente determinada pessoa bem sucedida.

Recentemente, disse a meu presidente na Rádio Itatiaia que a gente tinha de tomar algumas medidas. Simples, mas, necessárias. Dei como exemplo a atitude do meu presidente da Record Minas, que determinou a entrada dos apresentadores por uma porta nos fundos do prédio, com acesso imediato à garagem. Não que me considere bonito ou poderoso como a Ana Hickmann; porém, ela é uma espécie de senadora, comparando o status político com o da mídia eletrônica e eu, mais alguns colegas, somos vereadores... Ou seja, estamos mais próximos do público, permanentemente, por isso mesmo mais sujeitos a surpresas desagradáveis. Para quem pensa que só acontece com a modelo internacional ou John Lenon, lembro meu amigo Abraão Sadi, que iniciava a carreira de repórter na CBN, estava dentro do carro da emissora na Rua Tamoios, foi ferido por um desconhecido, ficou com sequelas e morreu afogado numa piscina pouco tempo depois.

Vejamos um exemplo recente, no rádio. O amigo João Vitor Xavier noticiou, com exclusividade, que o Atlético estava se preparando para demitir Diego Aguirre antes do embate com o São Paulo pela Copa Libertadores. Malucos travestidos de membros de uma torcida “organizada” ameaçaram invadir a rádio para impedir o que chamavam de “mentiras para criar crise no Atlético”. Quando o uruguaio foi demitido disse, em coletiva, que havia acertado sua saída semanas antes. Quero dizer que, atualmente, cada um tem sua verdade, está convencido de que deve defende-la com unhas e dentes e não tem tolerância para o contraditório. 

O problema é que, com o doido, você não consegue razoabilidade como, por exemplo, se ele não gosta de você que vá ouvir outro, se você é irresponsável que te processe ou se o veículo no qual você trabalha tem comportamento indevido que seja denunciado. Além disso, há algo mais grave: chegamos a um momento tão dramático que, se alguém quer se ver livre de uma pessoa conhecida não precisa investir milhões, basta dizer a um usuário que lhe garante pedras de crack por uma semana e mostrar quem é o alvo.

Sou humano, logo, tenho medo. Mas, como aprendi desde cedo a ter de lutar para sobreviver, não costumo fugir às obrigações ou evitar ambientes perigosos, se necessário for. Entretanto, cada vez mais me recolho ao sofá, cada vez menos vou a lugares públicos como estádios de futebol e manifestações políticas e toda hora peço a Deus proteção. Os malucos estão soltos. Todo cuidado é pouco. Alguns são famosos, é só você pensar... Vai encontrar técnico que escala Patrick de ponta esquerda, senador que já foi caçador de marajás, candidato a Presidência dos Estados Unidos, presidente da Câmara dos Deputados...