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O leite está fervendo

Dá uma reparada no Brasil. A melhor imagem que podemos usar para defini-lo é a de uma panela com leite sobre a trempe ligada do fogão. Se a gente olhar para o lado, piscar os olhos, o leite pode derramar.

12/02/2014 às 09:34

Dá uma reparada no Brasil. A melhor imagem que podemos usar para defini-lo é a de uma panela com leite sobre a trempe ligada do fogão. Se a gente olhar para o lado, piscar os olhos, o leite pode derramar. É assim na economia onde, mesmo com o que chamam de pleno emprego, tememos o amanhã; é assim na educação onde, mesmo com inegáveis avanços rumo à meritocracia, continuamos engatinhando; é assim no trânsito onde, se um só veículo parar, engarrafa tudo; é assim na política, onde ninguém aguenta as mesmas caras do século passado prometendo mudanças; é assim na saúde, cada dia mais presente nos palanques e pior na hora da dor, mas, principalmente, o leite está prestes a derramar é na segurança pública.

Todos nós sabemos as três principais causas: impunidade, falta de policiais nas ruas e histórica disputa por espaço entre as duas polícias, Civil e Militar. Se quisermos, podemos incluir falta de vagas em presídios, leis ultrapassadas, demagogos que falam em nome dos direitos humanos e não admitem a palavra punição, além de um sem número de outras razões. 

A morte do cinegrafista no Rio amplifica a discussão nacional sobre a relação de manifestantes sem limites com as ruas sem autoridade, mas, às vezes, com muito autoritarismo. É só mais um episódio. Existem outros, aos milhares, todos os dias, em todas as partes. Perto de nós, na sexta, um jovem de 21 anos foi morto sem reagir no Gutierrez e, pertinho dali, na Raja Gabaglia, horas depois, um desses endinheirados embriagado matou um entregador de pão. No domingo, um pedreiro que abusava sexualmente da mulher e dos quatro filhos menores deixou-se pegar, de tanto cometer exageros inenarráveis. Na madrugada de ontem, uma moça que deu o cano em muita gente e matou o próprio pai para ficar com o dinheiro do seguro, foi condenada em júri que a permitiu ficar sem uniforme de presidiária e no qual o promotor perdeu o prazo para arrolar testemunhas de acusação.

Estamos todos atordoados. E não é de hoje. Repare que a pessoa é atacada em qualquer Rua da Savassi e não pede ajuda. Sabe que já não resolve. Ainda assim, com uma multidão de mineiros que não fazem mais ocorrência – queixar não resolve – o Estado anuncia aumento de quase 30 por cento na criminalidade mais destrutiva e não se mexe para mudar o quadro. Lá em Brasília, a presidenta lamenta a morte do cinegrafista, mas, não chama o Congresso, a sociedade, o país para discutir tanto sangue. No fundo, no fundo, sabemos e não é de hoje que os governantes vivem da expectativa de continuar no poder; logo, se temos eleição ano sim ano não, eles não conseguem pensar em outra coisa. Enquanto isso, o leite está no fogo, fogo alto, e com certeza vai entornar... E a gente não quer olhar para o fogão.

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