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O legado que a TV não mostra

A Copa do Mundo no Brasil conclui um silencioso processo de afastamento dos pobres de sua paixão maior: o futebol.

25/06/2014 às 11:14

A Copa do Mundo no Brasil conclui um silencioso processo de afastamento dos pobres de sua paixão maior: o futebol. Há décadas, com a compra do jogo pela televisão, o esporte que enlouquece os brasileiros deixou de ser decidido por cartolas incompetentes metidos a espertalhões e foi para a mesa dos grandes executivos que, com profissionalismo, fazem o jogo delicadamente, para não atrair a ira das grandes massas. Agora, com a reforma dos principais estádios do país, consuma-se a elitização sob o forte argumento de que as arenas custaram caro, precisam de administração privada e, em consequência, ingressos a preços inacessíveis.

Primeiro, vamos pensar na relação com a TV. Ela descobriu que não há filão maior que a paixão pela bola. Então, tratou de pagar cotas altíssimas a clubes sempre falidos; numa segunda etapa, antecipou dinheiro para os sempre endividados cartolas. Então, com as rédeas nas mãos, a TV iniciou o processo de desmonte da alegria nos estádios: os jogos aos domingos já não são às 4 da tarde, mas, de acordo com a grade e o interesse de quem paga, pode-se fazer um Atlético e Cruzeiro as 18h30m. À noite, o horário de 21 horas foi atrasado em 50 minutos, ou uma hora, ou quanto for necessário para a novela acabar. É tão descarado que se tornou rotina o juiz ficar no meio do gramado olhando para o repórter de TV até que este autorize o começo da refrega. Com um canal aberto pavimentando a estrada e inúmeros outros de cabo a sustentar a programação, a televisão dá as ordens, tira ou põe um presidente de Federação e impõe o monopólio. Assim, como um cidadão que trabalha pode sair de um estádio depois de meia noite, sem metrô, entregue a torcidas (dês) organizadas assassinas e a violência de todo tipo?

Com a Copa no Brasil, gastamos fortunas para as reformas dos estádios e os governantes entregaram sua gestão à iniciativa privada. Como no nosso país não há a figura do capital de risco é que claro que os “parceiros” serão indenizados se o negócio não render o suficiente, mas, para mostrar esforço, colocam o preço do ingresso fora do alcance da maioria. O resultado é o que a gente já via depois das reformas com espaços enormes totalmente vazios. Agora, na Copa, a exemplo do que já ocorreu no ano passado, quando a televisão faz uma tomada da torcida só aparece gente bonita, de cabelos penteados, pele tratada e maquiagem caprichada... O feio, o pobre, a plebe não encontra espaço nem nas tais “Fan-Fest” que a Fifa organizou com lotação limitada. Estão tirando dos humildes uma das últimas alegrias que era se sentir incluído na sociedade, irmão dos outros, quando abraçava um bacana no estádio... Acho que um dia vão descobrir que a graça da arquibancada estava na mistura, e então, só com a elite branca, a boa vai rolar sem graça.

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